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Seguro defende imprensa regional como pilar da democracia. O que ameaça a sua sustentabilidade

O Presidente da República afirmou em Braga que a imprensa regional é um pilar da democracia e um agente de desenvolvimento das comunidades. Ao mesmo tempo, alertou para a fragilidade do setor face à digitalização, à concorrência das plataformas globais e ao impacto dos chatbots de inteligência artificial

Lusa - Portugal

O Presidente da República, António José Seguro, defendeu hoje (6) que a imprensa regional é um pilar da democracia, um agente de desenvolvimento das comunidades locais e uma referência de proximidade, credibilidade e serviço público.

“A imprensa regional é muito mais do que um meio de comunicação. É um pilar da democracia e um agente de desenvolvimento das nossas comunidades”, sublinhou o Chefe de Estado, em Braga, ao discursar na gala comemorativa do centenário do jornal Correio do Minho.

António José Seguro afirmou ainda que é através da imprensa regional que os cidadãos acompanham as decisões locais, conhecem os problemas da sua região e participam de forma mais informada na vida pública.

“Ao mesmo tempo, a imprensa regional fiscaliza o poder, promove a transparência e dá voz a quem, muitas vezes, não encontra espaço nos grandes meios de comunicação. Além disso, valoriza a identidade, a cultura, as empresas e os projetos locais, contribuindo para o desenvolvimento económico, social e cultural das regiões”, destacou.

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Para o chefe de Estado, “num tempo marcado pela desinformação e pela rapidez das redes sociais, o jornalismo regional continua a ser uma referência de proximidade, credibilidade e serviço público”.

“Defender a imprensa regional é defender uma democracia mais forte e comunidades mais informadas, participativas e preparadas para enfrentar os desafios do futuro”, vincou o Presidente da República.

Seguro revelou que ele próprio, quando era “muito mais novo”, foi um dos fundadores e o primeiro diretor de um jornal local.

“Adorei a experiência. A descoberta, a aprendizagem das rotinas ou os contactos que fui estabelecendo, designadamente com o Jornal do Fundão. Confesso que, se hoje desempenhasse esse papel, viveria momentos de inquietação. Como garantir a sustentabilidade e a continuidade de um jornal regional? Pelos números a que acedi, o Correio do Minho terá, em média, cerca de 80 mil leitores”, referiu.

O Chefe de Estado enalteceu no Fórum Braga o percurso do Correio do Minho, dando conta de que o jornal centenário tem hoje edição impressa e ‘online’, uma aposta no multimédia e no ‘crossmedia’ e, “sabiamente, desenvolveu uma estratégia de aproximação à Galiza”.

“São sinais positivos, sem dúvida. Mas os indicadores que recebemos das tendências de consumo e dos relatórios sobre a atividade dos órgãos de comunicação social são manifestos de incerteza e de angústia”, alertou Seguro.

O Chefe de Estado avisa que, “ao difícil processo de digitalização, à concorrência feroz das plataformas globais, juntam-se agora as dificuldades criadas pelos ‘chatbots’ de inteligência artificial no consumo de notícias”, processando “informação produzida por outros e [que] interrompem o caminho do utilizador até aos ‘sites’ que efetivamente produzem essa informação”.

“É mais um desafio para uma indústria já em crise. E é mais um alerta. Para os gestores dos órgãos de comunicação e para as entidades públicas nacionais e europeias sobre a necessidade de avaliar os efeitos profundamente negativos que este fenómeno pode gerar”, frisou António José Seguro.

Em última análise, sustenta o Presidente, “está em causa a diversidade de vozes, substituída pelo ruído polarizador”. “Está em causa o jornalismo de proximidade com as linguagens e narrativas próprias das culturas locais e regionais, que nenhum algoritmo saberá replicar”, advertiu Seguro.

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