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Venezuela rejeita risco de explosão social após sismos. O que está a alimentar o descontentamento

A Presidente interina da Venezuela garantiu que o país não enfrentará "uma explosão social" após os sismos que devastaram o norte do território. As declarações surgem numa altura em que continuam as operações de busca e aumenta a contestação à resposta das autoridades

Lusa

A Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que tem sido criticada pela forma como lidou com os dois grandes sismos de 24 de junho, afirmou hoje (6) que “não haverá uma explosão social” ligada ao desastre.

“Não compreendo como é que, nestes momentos de dor para a Venezuela, de luto nacional (…), há quem se atreva a planear possíveis explosões sociais”, disse, durante uma cerimónia de comemoração da independência do país em Fuerte Tiuna, um enclave militar em Caracas. “Aqui, não haverá explosão social. Aqui, o que existe é uma profunda solidariedade social entre o nosso povo”, sublinhou.

Nas zonas devastadas pelos terramotos, onde ainda se procuram sobreviventes e há milhares de desaparecidos, muitos residentes têm manifestado a sua indignação relativamente à resposta do Governo.

Para responder às acusações de que as Forças Armadas não ajudaram nas procuras e resgates, Delcy Rodríguez ordenou hoje a criação de uma nova unidade militar para fazer face a emergências e desastres.

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“Ordenei ao Ministério da Defesa a criação de uma força especial de emergência para responder a desastres desta natureza, que terá o nome do grande marechal de Ayacucho, António José de Sucre”, anunciou.

Pelo menos 3.342 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas na sequência dos dois terramotos – de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter -, que foram dos mais fortes e devastadores da América Latina. Mais de 16 mil pessoas estão desalojadas e 856 edifícios foram danificados, informou também o ministério.

Os dois sismos decorreram com 39 segundos de intervalo e afetaram principalmente o norte da Venezuela, mergulhando o país em luto e desespero enquanto as pessoas procuram os seus entes queridos, vivos ou mortos. Em La Guaira, a zona mais atingida, a 40 quilómetros da capital, edifícios inteiros ficaram reduzidos a escombros.

O número de mortos pode chegar aos 50 mil, enquanto outras estimativas apontam para cerca de 10 mil, segundo a ONU. Muitas vítimas ainda estão sem casa ou abrigadas em parques, sem esperança para o futuro e algumas máquinas pesadas tentam demolir estruturas já desabadas e remover as lajes de betão dos edifícios, enquanto uma boa parte está parada por falta de combustível.

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