Pequim e Moscovo anunciaram este domingo (5) que vão realizar os seus exercícios navais conjuntos anuais ao largo da costa chinesa, tendo a Rússia indicado que as manobras terão início na segunda-feira.
Os dois países mantêm uma importante parceria diplomática e económica, reforçada pela vontade comum de apresentar uma alternativa ao que consideram ser a predominância dos Estados Unidos na ordem mundial.
As forças armadas da China e da Rússia têm realizado regularmente exercícios conjuntos nos últimos anos, uma parceria que os países ocidentais e outros governos encaram com desconfiança, à medida que a guerra da Rússia na Ucrânia se prolonga.
As forças navais dos dois países participarão no exercício “Joint Sea-2026” em “águas e espaço aéreo” ao largo de Qingdao, um importante porto militar e estância balnear no leste da China, informou um comunicado do Ministério da Defesa chinês.
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“Após o exercício, algumas forças de ambas as partes realizarão uma patrulha marítima conjunta em áreas relevantes do Oceano Pacífico”, refere o comunicado, sem especificar a localização. “Este dispositivo visa… responder conjuntamente aos desafios de segurança e salvaguardar a paz e a estabilidade regionais.”
Um comunicado separado do Comando do Teatro Norte das forças armadas chinesas indicou que participarão dois contratorpedeiros, uma fragata, um submarino, um navio de abastecimento e um navio de salvamento. O comunicado acrescenta que todas as forças participantes já chegaram a Qingdao.
As manobras incluirão operações de reconhecimento, defesa aérea e antimíssil, bem como ataques contra alvos de superfície, refere o texto.
A Frota do Pacífico da Rússia informou, em comunicado, que os exercícios decorrerão entre 6 e 13 de julho no Mar Amarelo, que separa a China da península da Coreia.
O comunicado, divulgado pelas agências noticiosas russas, refere que as manobras incluirão ainda operações conjuntas de salvamento, “missões de guerra antissubmarina e de defesa aérea”, bem como exercícios de artilharia.
Um cruzador russo, uma corveta, um submarino a diesel e um navio de salvamento já tinham chegado ao porto de Qingdao antes do início dos exercícios militares, acrescenta o comunicado.
Falando numa cerimónia em Qingdao, o contra-almirante russo Sergei Sinko afirmou que o “Joint Sea-2026” tem como objetivo “reforçar a parceria estratégica entre os nossos países” e garantir a “paz e estabilidade” na região, segundo a agência noticiosa TASS.
Os exercícios realizam-se cerca de dois meses depois da visita do Presidente russo, Vladimir Putin, à China. Na altura, Putin afirmou que as relações tinham atingido um “nível sem precedentes”, enquanto o líder chinês, Xi Jinping, elogiou uma parceria “inquebrantável”.
Pequim e Moscovo realizam os exercícios “Joint Sea” desde 2012, tendo a edição do ano passado, nas proximidades do porto russo de Vladivostok, no leste do país, sido igualmente seguida de patrulhas conjuntas no Pacífico.
A China nunca condenou a invasão russa da Ucrânia em 2022, mas Pequim insiste que é uma parte neutra, apelando regularmente à realização de negociações de paz.