A China realizou hoje (6) um teste com um míssil balístico estratégico lançado de um submarino nuclear para as águas do Pacífico, numa operação que Pequim classificou como rotineira, mas que motivou críticas do Japão, Austrália e Nova Zelândia.
O míssil, equipado com uma ogiva simulada de treino, foi lançado às 12:01 locais (05:01 em Lisboa) e atingiu com precisão a zona marítima prevista, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.
O ensaio integrou o plano anual de treino das Forças Armadas chinesas, foi previamente comunicado aos países relevantes e “não está dirigido contra nenhum país nem alvo específico”, acrescentando que decorreu em conformidade com o direito e as práticas internacionais, segundo a agência estatal.
A Xinhua indicou apenas que o lançamento foi efetuado por um submarino nuclear estratégico da Marinha do Exército de Libertação Popular para “águas internacionais relevantes” do Pacífico, sem revelar o tipo de míssil, a classe do submarino ou o local exato do impacto.
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Trata-se do primeiro teste conhecido de um míssil lançado de um submarino chinês desde 1982 e do primeiro realizado a partir de um submarino de propulsão nuclear, de acordo com o jornal de Hong Kong South China Morning Post. O lançamento suscitou críticas de Tóquio, Camberra e Wellington.
O Japão declarou ter instado veementemente a China a reconsiderar o ensaio de lançamento do míssil no Oceano Pacífico, após o anúncio de Pequim sobre o teste, do qual Tóquio tinha sido informado antecipadamente.
“Solicitámos veementemente que se reconsiderasse este lançamento experimental de míssil balístico, para que não constituísse uma ameaça à segurança do Japão, nomeadamente ao sobrevoar o seu espaço aéreo”, reportou um comunicado conjunto de vários ministérios japoneses, incluindo os da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, publicado antes do lançamento.
“Graças a uma estreita coordenação entre os ministérios envolvidos, envidaremos todos os esforços para garantir a segurança do nosso espaço aéreo e do nosso território marítimo, estando o Ministério da Defesa plenamente preparado em matéria de vigilância e acompanhamento”, prossegue o comunicado. “Manifestámos sérias preocupações face à intensificação das atividades militares chinesas”, acrescenta ainda o texto.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Winston Peters, afirmou que o Governo foi informado do teste apenas algumas horas antes e assinalou que o míssil foi lançado para a Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, criada pelo Tratado de Rarotonga, de 1986.
“Apesar das nossas preocupações de longa data sobre este tipo de atividade, a China realizou o teste poucas horas depois de nos informar”, disse Peters, citado pela agência Associated Press.
Também a ministra australiana dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong, classificou o lançamento como “desestabilizador para a região”, acrescentando que Camberra transmitiu essa posição a Pequim.
O teste ocorreu no mesmo dia em que Austrália e Fiji assinaram um novo tratado de defesa destinado a reforçar a cooperação militar entre os dois países, num contexto de crescente competição estratégica com a China no Pacífico. O lançamento surge igualmente numa altura de maior atividade militar chinesa no Pacífico Ocidental.
As autoridades de Taiwan afirmaram hoje que a Marinha chinesa mantém destacadas quatro agrupações navais na região, incluindo uma no Pacífico Sul, duas a sul da ilha japonesa de Amami Oshima e outra a nordeste das Filipinas.
Tem-se verificado uma “tendência crescente” deste tipo de destacamentos, segundo responsáveis da área da segurança da ilha. No fim de semana, foi ainda referido que Pequim mobilizou um número “recorde” de mais de 110 navios da Marinha e da Guarda Costeira ao longo da chamada primeira cadeia de ilhas, que se estende do Japão às Filipinas, passando por Taiwan.
O ensaio ocorre ainda após o agravamento das relações entre Pequim e Tóquio, marcado por novas restrições chinesas à exportação de produtos de dupla utilização para entidades japonesas e por protestos do Japão devido à presença de navios chineses junto da ilha de Yonaguni, a cerca de 150 quilómetros de Taiwan.
Coincide ainda com os preparativos para novos exercícios navais conjuntos entre a China e a Rússia, previstos para decorrer este mês em águas e espaço aéreo chineses, seguidos de patrulhas marítimas conjuntas em zonas do Pacífico.