Muitas mudanças históricas devem-se à globalização e à governação global, com as crescentes incertezas na geopolítica a agravarem as tensões entre as grandes potências. Logo, muitos questionam o que poderá ser feito para recalibrar a governação global e resolver os problemas que afligem a economia mundial.
As relações China-EUA tornaram-se indubitavelmente num dos laços bilaterais mais importantes a nível global, e estão intimamente relacionadas com os interesses fundamentais dos dois países e com o futuro do mundo.
O encontro do Presidente Xi Jinping e do Presidente norte-americano Donald Trump em abril em Mar-a-Lago, na Flórida, traçou um novo rumo e marcou o tom certo para o futuro das relações bilaterais. Os líderes puderam também discutir como enfrentar os grandes desafios que afetam a atual globalização.
Em primeiro lugar, a China e os Estados Unidos reafirmaram o consenso estratégico de coexistência pacífica e cooperação mutuamente benéfica, e definiram diretrizes estabelecendo uma base sólida para uma relação bilateral mais saudável e estável.
Sob a liderança do Presidente norte-americano Donald Trump, os Estados Unidos poderão reconhecer que o peso das ideologias diminui na diplomacia, numa altura em que o país se concentra mais em revitalizar a economia nacional. Devido a tal, as divergências entre a China e os Estados Unidos relativamente a questões ideológicas poderão tornar-se menos problemáticas para as relações bilaterais.
Passando a outra questão, a China e os Estados Unidos começaram a instalar quatro mecanismos de diálogo bilateral e prepararam a realização de discussões noutros campos e níveis. Uma comunicação e cooperação mais próxima entre os departamentos governamentais foi também encorajada e discutida.
Por último, foi alcançado um “plano de 10 pontos” entre a China e os EUA sobre o comércio e a cooperação económica, que poderá não só atenuar as tensões comerciais e evitar guerras neste setor mas também beneficiar as duas nações e o mundo.
Contudo, as incertezas da Administração de Trump ainda assombram as relações bilaterais. Está na altura de os dois países quebrarem esta “maldição” introduzindo uma maior certeza e previsibilidade nas relações China-EUA.
Hoje em dia, o Governo norte-americano acredita que a globalização se desviou da rota de “americanização”, sendo partilhados maiores benefícios entre países emergentes como a China, em vez dos Estados Unidos. O Presidente norte-americano Donald Trump lançou os slogans “a América primeiro” e “tornar a América grande novamente” durante a campanha eleitoral, transmitindo fortes sinais de mudança nas regras da governação económica global.
Como sabemos, a globalização não irá desaparecer da noite para o dia. Os destinos de muitos países no mundo estão já intimamente interligados, e o discurso, por isso, deve ser discutido juntando vozes e concentrando atenções na otimização da globalização. Os nossos líderes devem gerir melhor a cooperação internacional num novo período de globalização, em vez de assumir que chegou ao fim.
Para além disso, os Estados Unidos continuam a desempenhar um papel importante na governação global, e participam ativamente em atividades dos órgãos multilaterais como as Nações Unidas, o G20 e a APEC, entre outros. Os Estados Unidos devem também colaborar com outros países para lidar com as alterações climáticas, promover o comércio livre e investimento a nível global e reconhecer os objetivos da agenda de desenvolvimento sustentável “ONU 2030”.
Juntos, a China e os Estados Unidos devem assumir um papel de liderança na discussão da governação global, formando novas regras e criando novos conceitos e modelos para a cooperação internacional.
He Yafei*
O autor é codiretor do Centro para a China e Globalização e ex-vice-ministro dos Negócios Estrangeiros. O artigo é um excerto do seu discurso na mesa-redonda do Centro para a China e Globalização e do American Enterprise Institute sobre as relações económicas China-EUA, realizado em Pequim no dia 18 de maio, traduzido do chinês por Song Jingyi.