Os gastos em obras públicas, a proteção social e uma mão cheia de casos em que o Executivo esteja mais exposto – há temas mais populares, outros mais populistas – vão encher nos próximos meses a agenda mediática de deputados e outros candidatos, claramente já focados nas legislativas do próximo ano. Os temas têm relevância variável, uns serão mais consequentes que outros, nem todos atingem da mesma forma e com a mesma intensidade os diferentes governantes envolvidos. Certo é que o estado de graça do último mandato de Chui Sai On está definitivamente esgotado. Está aberta a caça ao voto.
Chan Man Kam dispara para todos os lados e tem um jeito natural para liderar o ataque, tendo só na última semana apontado a Alexis Tam, Raimundo Rosário e Sónia Chan; Pereira Coutinho será certamente hiperativo nos próximos meses; a Novo Macau multiplica as críticas, umas repisadas pelos seus deputados históricos, outras em busca de uma nova linguagem para Scott Chiang; Mak Soi Kun e os amigos de Cantão não demorarão a fixar uma agenda capaz de competir com o líder de Fujian e os pró-democratas. Se as coisas não foram fáceis para a Administração, serão certamente mais difíceis até à ida às urnas.
Não é com elogios ao governo que se faz a campanha eleitoral, que também não se ganha com comícios de rua e uns panfletos distribuídos na reta final. A campanha começou, com tiros diferenciados contra os alvos mais apetecíveis do ponto de vista mediático. O que conta é fazerem prova de sentido crítico e de coragem para enfrentarem a governação.
A história mostra-nos que a organização social, política e económica da Região Administrativa Especial retira depois relevância e consistência a essa falácia parlamentar, sendo demasiado óbvio o poder quase absoluto do Executivo. Mas este é o momento em que os atores do Legislativo vestem a pele de justiceiros, atirando contra tudo o que mexa e lhes pareça um alvo popular. Como é tradicional, as Obras Públicas e os Assuntos Sociais estarão mais tempo debaixo de fogo.
Paulo Rego