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CHAMEM A CÉLINE DION

 

O jogo em Macau poderá estar a viver o seu “ano zero”, de transição para uma atividade mais “amiga da famílias” e de aposta no mercado de massas, em substituição dos grandes apostadores 

 

Ainda não se completou um mês do novo ano, e o setor do jogo em Macau que tinha terminado 2014 a dominar as manchetes volta a estar no centro das notícias: uma das operadoras abandonou a  bolsa de Hong Kong, uma grande empresa de junket reduziu parcialmente a atividade, a China aperta o controlo sobre os grandes jogadores, a Sands China afastou o seu líder e continua preso um sobrinho de Stanley Ho.

O facto das receitas continuarem em queda já quase nem é notícia. Mas é por essa redução que se afere o futuro do atual modelo de jogo na RAEM. Em 2014, as receitas globais caíram 2,52%, para 352.714 milhões de patacas (44.24 milhões de dólares).

Segundo os Serviços de Inspeção e Coordenação de Jogos as receitas geradas foram de 351.521 milhões de patacas nos casinos  e de 1.193 milhões de patacas apurados nas corridas de galgos e cavalos, lotarias e apostas em jogos de futebol e basquetebol.

 

“THE SAME OLD STORY”

 

O principal jogo de casino na RAEM, o  bacará Vip, gerou menos 10,89% de receitas em 2014, face ao ano anterior, para um total de 212.535 milhões de patacas. No entanto, nas salas populares, as receitas do bacará aumentaram 16,29%, para 106.527 milhões de patacas, ligeiramente acima de metade do peso do bacará Vip.

Estes valores reforçam a tese da importância crescente do mercado de massas em detrimento do peso dos grandes apostadores. Até porque estes estão “recolhidos”, para não serem apanhados na chuva da campanha anti-corrupção, “contra tigres e moscas” que varre a China e, percebe-se melhor agora, tem o jogo de Macau como um dos seus principais alvos. O desaparecimento dos grandes jogadores tem efeitos nas receitas e na atividade dos junkets,

A operadora junket David Group, anunciou o fecho de três das suas sete salas VIP e a expansão do seu negócio para outros países asiáticos, em resultado das quedas das suas receitas sentidas em 2014, que em dezembro foram na ordem dos 30%.

Numa entrevista à Bloomberg, Frank Ng, diretor de comunicação da empresa, disse que a operadora está “a hibernar. Quando acordarmos, podemos recomeçar”. Outras operadoras, como a Suncity Group e a Hengsheng Group estão a apostar maios claramente no mercado regional. No domingo, o novo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, negou que as salas VIP estejam a encerrar em massa, mas confirmou que pelo menos uma empresa estava a fazê-lo.

O melhor comportamento do mercado de massas, que até agora tinha sido desvalorizado pela maioria dos operadores de casinos de Macau, tem sido apontado como uma das saídas para a espécie de pântano em que entrou o setor. “Macau tem que encontrar uma outra fonte limpa de receitas – e depressa. É a mesma história que vimos em Las Vegas em 1970 e 1980, quando os mafiosos que tinham construído a cidade foram expulsos do negócio pelas autoridades. É agora tempo de tornar Macau num mercado de destino para as família. É tempo de contratar a Céline Dion”, escrevia na última semana Linette Lopez, no Business Insider.

Na última semana, Lawrence Ho e James Packer anunciaram que a Melco planeia a abertura para o último trimestre deste ano do Melco Studio City, um casino “orientado para as famílias.

 

VLADIVOSTOQUE APROVEITA

 

Esta semana, na região de Vladivostoque, no Extremo Oriente russo, arrancou finalmente um multimilionário projeto de jogo, num investimento avaliado em 2.2 mil milhões de dólares. O primeiro casino, propriedade da The First Gambling Company of the East , poderá abrir em maio deste ano, tendo como objetivo declarado tornar a cidade numa “segunda Macau”. O projeto situa-se a 50 km de Vladivostoque e a poucas horas de voo de Tóquio, Seoul e Pequim e ja atraiu o interesse de operadoras de jogo do Cambodja e de Hong Kong, entre outras.

LAS, com agências

 

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