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Calor, cheias e secas: as regiões do mundo mais expostas ao El Niño em 2026

À medida que as projeções climáticas apontam para uma alta probabilidade do retorno de um episódio de El Niño a partir de meados de 2026, autoridades meteorológicas e pesquisas internacionais alertam para a possibilidade de impactos extremos em padrões de temperatura e precipitação em diversas regiões do globo

O fenómeno — caracterizado pelo aquecimento anómalo das águas superficiais do Pacífico Equatorial — pode renovar condições de calor intenso, agravar secas em áreas vulneráveis e desencadear eventos de chuva excessiva e inundações em outras, dependendo da dinâmica atmosférica global.

O que está em causa

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e centros de clima como a NOAA, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico central e oriental estão a aquecer, com uma probabilidade crescente — estimada em mais de 80% em alguns modelos — de que El Niño se estabeleça entre maio e julho de 2026 e persista durante vários meses. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica em escala global, influenciando padrões de chuva e seca em diferentes hemisférios.

América Latina: extremos opostos no Sul e no Norte

Na América do Sul, os efeitos tendem a ser contrastantes:

  • Brasil: estudos climáticos indicam que durante El Niño as regiões Sul costumam registar chuvas acima da média, com maior risco de enchentes e temporais, enquanto Nordeste e partes do Centro-Oeste enfrentam redução de precipitação e secas severas, acompanhadas por ondas de calor.
  • Equador: as autoridades identificaram dezenas de municípios mais suscetíveis a inundações e movimentos de massa em 2026 caso o fenómeno se concretize, refletindo vulnerabilidades locais à variabilidade das chuvas.

Esses contrastes regionais ilustram como o mesmo fenómeno climático pode gerar chuvas excessivas num território e secas prolongadas noutro, com implicações para agricultura, abastecimento de água e infra-estruturas urbanas.

África e Ásia: secas, calor e pressão sobre recursos

Regiões do leste e sul de África historicamente experimentam secas intensas associadas a episódios de El Niño, com impactos acumulados em recursos hídricos, agricultura e produção de energia, uma ligação documentada em eventos anteriores.

Na Ásia — incluindo Filipinas, partes da Indonésia e sul da Ásia — o calor intensificado pode agravar tanto secas quanto episódios convectivos abruptos que provocam chuvas intensas e inundações locais. Especialistas destacam também que essas condições colocam pressão sobre sistemas de drenagem e redes de abastecimento em países com infraestrutura já fragilizada.

Leia mais: El Niño volta ao Pacífico. Porque 2026 pode intensificar o calor e as chuvas extremas
América do Norte e Europa: calor e padrões meteorológicos alterados

Embora o El Niño tenda a reduzir a atividade de furacões no Atlântico norte — devido ao aumento do cisalhamento do vento — o padrão climático associado pode resultar em verões mais quentes no sul dos Estados Unidos e, em alguns casos, mudanças nos regimes de chuva que afetam as estações turísticas e agrícolas.

Na Europa, já se observa em 2026 ondas de calor extremas e recordes de temperatura antecipados por cientistas. Embora nem todos esses episódios de calor sejam diretamente atribuíveis ao El Niño (até porque o fenómeno ainda está a desenvolver-se), a combinação de aquecimento global de fundo com padrões alterados aumenta a probabilidade de temperaturas acima do normal em grandes áreas do continente.

Padrões de impacto — um fenómeno de efeitos “simultâneos e divergentes”

O que torna El Niño particularmente desafiador em contextos de previsão e preparação é a sua capacidade de provocar impactos simultâneos que divergem geograficamente — ou seja, zonas de chuvas extremas num lado do globo e secas intensas noutro, muitas vezes ao mesmo tempo.

A mudança nos padrões oceânicos altera a convecção atmosférica e os sistemas de ventos, afetando a formação de nuvens e a distribuição das chuvas de forma que:

  • Equatorial e regiões tropicais podem experimentar alterações na monção e seca prolongada.
  • Latitudes médias e temperadas podem ver ondas de calor mais intensas, com impactos na saúde pública e sistemas de energia.
  • Regiões costeiras podem enfrentar chuvas fortes e risco aumentado de enchentes súbitas.
    Desafios futuros e preparação

Especialistas climáticos sublinham que, mesmo com melhores modelos e observações, a fase inicial de um El Niño é mais difícil de prever com precisão, e continua a existir incerteza sobre a intensidade e duração do evento ao longo de 2026.

Essa incerteza reforça a necessidade de preparação antecipada em setores como agricultura, abastecimento de água, gestão de riscos de desastres e planeamento urbano, particularmente em países mais vulneráveis a extremos hidrometeorológicos.

Se se confirmar uma fase notável de El Niño em 2026, o fenómeno poderá intensificar ondas de calor, agravar secas em áreas já vulneráveis e desencadear chuvas extremas e inundações em outras, confirmando-se como uma variável crítica para padrões climáticos regionais e impactos socioeconómicos no ano. A atenção das instituições e governos ao fenómeno e suas projeções — bem como ações de mitigação e preparação — será indispensável para reduzir riscos em múltiplas latitudes.

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