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El Niño pode regressar este ano e tornar o planeta mais quente. Entenda como é este fenómeno

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU alertou, esta terça-feira, para a probabilidade crescente de, no período de maio a julho, se repetir o fenómeno climático conhecido por El Niño.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que o fenómeno climático El Niño poderá regressar no verão, após o enfraquecimento do atual episódio de La Niña. Caso se confirme, o mundo poderá voltar a registar um aumento significativo das temperaturas e uma intensificação de fenómenos meteorológicos extremos.

Segundo a OMM, a transição deverá ocorrer gradualmente: o atual padrão de arrefecimento associado à La Niña tende a dar lugar a condições neutras nos próximos meses, abrindo depois espaço para um novo evento de aquecimento no Pacífico equatorial, característico do El Niño.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenómeno natural que resulta do aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico equatorial central e oriental. Este aquecimento altera a circulação atmosférica tropical, afetando os ventos, as chuvas e a distribuição do calor à escala global. Trata-se da fase quente do ciclo climático conhecido como ENSO (El Niño–Oscilação Sul), cujo oposto é a La Niña, associada ao arrefecimento dessas mesmas águas.

Quando o El Niño se instala, o oceano liberta grandes quantidades de calor acumulado para a atmosfera. Esse processo contribui para o aumento das temperaturas médias globais, razão pela qual os anos com El Niño tendem a ser particularmente quentes. O último grande episódio, em 2023/2024, esteve entre os mais intensos já registados e foi um dos principais fatores por trás dos recordes de temperatura observados em 2024.

Além do aquecimento global médio, o fenómeno altera padrões regionais de precipitação, favorecendo ondas de calor mais frequentes, prolongadas e intensas em várias partes do mundo.

Impactos climáticos à escala global

Os efeitos do El Niño não são iguais em todas as regiões. Em termos gerais, o fenómeno está associado a secas severas em zonas como a Austrália, o Sudeste Asiático e partes de África, enquanto provoca chuvas intensas e cheias na costa oeste das Américas. Na Europa, os impactos podem incluir verões mais quentes e secos no sul e padrões meteorológicos mais instáveis no norte.

Na América Latina, o El Niño tende a afetar a agricultura e os recursos hídricos, enquanto em regiões costeiras pode aumentar o risco de tempestades e erosão. Já no sul da Ásia, o fenómeno pode interferir com as monções, com consequências diretas para a segurança alimentar.

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Os impactos do El Niño, contudo, vão além do clima. Secas prolongadas, cheias repentinas e ondas de calor extremo afetam a produção agrícola, elevam os preços dos alimentos, pressionam os sistemas de energia e colocam em risco a saúde pública, sobretudo entre populações mais vulneráveis.

A OMM sublinha que estes fenómenos naturais ocorrem hoje num contexto de alterações climáticas causadas pela ação humana. O aquecimento global de longo prazo intensifica os efeitos do El Niño, tornando os seus impactos mais severos do que no passado.

Monitorização e alerta

A organização garante que continuará a monitorizar de perto a evolução das temperaturas oceânicas e da circulação atmosférica nos próximos meses. Caso o El Niño se confirme, os serviços meteorológicos nacionais serão chamados a reforçar sistemas de alerta e medidas de adaptação, num cenário em que o calor extremo poderá voltar a marcar o verão em várias regiões do planeta.

O eventual regresso do El Niño reforça, assim, os alertas dos cientistas para a crescente vulnerabilidade do mundo a fenómenos climáticos extremos e para a necessidade de preparação e resposta coordenada a nível global.

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