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Centenário de Camilo Pessanha: IPOR Homenageia o Poeta que fez de Macau casa

O Instituto Português do Oriente (IPOR) assinala os 100 anos da morte de Camilo Pessanha com uma sessão de homenagem em Macau, celebrando o legado duradouro do poeta simbolista, e junta-se ao The Script Road — Festival Literário de Macau numa celebração mais ampla da sua vida e obra.

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Cem anos após a sua morte, Camilo Pessanha continua a ser uma figura maior do Simbolismo português e uma das histórias mais marcantes da literatura, feita de deslocação, reinvenção e pertença.

Para assinalar o centenário, o IPOR organizou uma sessão comemorativa em Macau, contando também com a participação no Festival Literário de Macau — Rota das Letras.

No âmbito da Rota das Letras, a 1 de março de 2026, realizou-se na Casa Garden, com início às 16h00, a sessão “Ir assim, a bordo de um navio, sem destino”, verso retirado da própria poesia de Pessanha. A sessão reuniu os oradores António Carlos Cortez, Carlos Morais José, Christopher Chu, Diego Giménez, Maggie Hoi e Yao Feng, com moderação de Sérgio Sousa.

A sessão organizada pelo IPOR, “Percorrei os Caminhos de Camilo Pessanha”, realizou-se a 3 de março de 2026, às 18h30, na Biblioteca Camilo Pessanha, nas instalações do IPOR. Os convidados António Carlos Cortez, Frederico Rato e José Basto da Silva juntaram-se à moderadora Shee Vá para uma conversa em formato de clube de leitura, que percorre os passos do poeta por Macau.

Uma vida moldada por Macau

Nascido em Coimbra, em 1867, Camilo Pessanha chegou a Macau em 1894, inicialmente como explicador particular, vindo mais tarde a exercer funções como juiz. O que começou como uma colocação temporária transformou-se numa residência permanente.

As paisagens da cidade, a sua dualidade cultural e a atmosfera de melancolia contida deixaram uma marca indelével na sua poesia.

Em Macau, Pessanha mergulhou profundamente na cultura chinesa. Tornou-se um dedicado colecionador de porcelanas e antiguidades chinesas, escreveu ensaios académicos sobre arte chinesa e desenvolveu uma ligação profunda ao território que jamais o abandonaria.

A sua obra maior, Clepsidra, publicada pela primeira vez em 1920, é considerada um dos expoentes máximos do Simbolismo português, marcada por temas como o exílio, a passagem do tempo e a saudade.

Faleceu em Macau a 1 de março de 1926, sem nunca ter regressado definitivamente a Portugal. Um século depois, a cidade continua a honrar a sua memória, de forma mais visível através da biblioteca que ostenta o seu nome nas instalações do IPOR.

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