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25 anos depois…estamos cá para isso

Paulo Rego*

Um quarto de século depois, Macaucaminhaem idade adulta – com duaspernas: a do jogo, que repôs a economia depé – comprometendo-se a pagar eventos eespetáculos – e a da diversificação económica,ainda manca, empurrada pela força da MãePátria. Sendo ainda jovem, a RAEM tem caráterformado: nacionalista. E destino traçado:integração acelerada na Grande Baía. Pequim comemora o 25.º aniversário com orgulho;como obra e posse sua. Os poderes centrais,sem grandes pruridos, assumem um alto graude intervenção – como que por direito e dever.Esta aldeia ainda é lenta em relação aomundo que aqui ao lado que a engole; masestá muito melhor… Nas infraestruturas, noPIB per capita, na modernização tecnológica;até num plano de vida, que existe e tem sentido.Na verdade, a colónia portuguesa nuncafoi autónoma; livre; ou democrática. Andava apé coxinho, a cavalo do pai Belém e nas asasdo tio Stanley. Era mais portuguesa, claro; masisso hoje não faz qualquer sentido.

Há muitos problemas, como em todo o mundo. Escrevo amiúde sobre muitos deles; até num tom e num estilo que muitos me diziam não ser possível. Mas é – continua a ser. Há que dizê-lo, porque essa era talvez a maior dúvida da integração acelerada, no contexto de uma China nacionalista e antiliberal. Este não é – de todo – o momento para vincar dúvidas e críticas. É dia de festa. Legítima e merecida. A cidade que temos é melhor que muitas outras. Na China, em Portugal, ou no resto do mundo. Honestamente, melhor que todas as outras para quem decide cá estar, porque é nela que vê espaço, mesmo neste tempo, para dar à perna. Como nós; como o PLATAFORMA, que pugna pelo bilinguismo, pelo direito à diferença, e por um desenho que é de Pequim – e só pela sua mão se vai cumprir. Em consciência, quem pode ser contra o mercado de massas – por contraponto ao submundo VIP? Quem quer uma cidade vazia e deprimida – não sustentada pelo turismo interno? Quem nega a urgência da diversificação económica? Ou vê só o bicho-papão num mercado de 85 milhões de habitantes – 14 por cento do PIB da China – ao qual o mundo inteiro quer ter acesso? A propaganda oficial era esperada; mas o orgulho nacional, tantas vezes exagerado, é um pecado que não deixa nenhum país inocente. Algumas antigas colónias, há 50 anos independentes, ainda culpam Portugal pelos problemas que não resolvem. A China não cai nesse ridículo; antes exalta os seus feitos – diz que faz melhor. Normal e, dizem os números… verdade.

Li reportagens no China Daily e na Xinhua no contexto do 25.º aniversário – publicamos uma nas páginas 14 a 15. São cor-de- -rosa, claro, mas são bem mais que isso. Primeiro, a qualidade da escrita, abordagem inteligente, e número de estrangeiros ouvidos, revelam um discurso que, sendo oficial, melhorou muito nos últimos anos. Depois, o foco já não é a segurança nacional, o amor à Mãe Pátria, nem ditames políticos. Exaltama cidade internacional; a harmonia entre culturas; o espetáculo; o caráter único e diferenciador… Bom sinal! Muita coisa tem de ser feita para preservar e desenvolver essa narrativa. Mesmo muita; porque está em parte a minguar – não a crescer. Mas se é essa a abordagem institucional, cá estamos para isso. Aliás, é por isso – e para isso – que ainda cá estamos. Há 25 anos!

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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