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Coutinho difunde difamação ao PLATAFORMA Rita Santos diz que não temos “vergonha na cara”

Paulo Rego*

O líder da Associação dos Trabalhadores da Função Pública – e deputado – Pereira Coutinho, reage agastado à notícia que publicámos sexta-feira passada sobre a investigação a eventuais “vistos falsos” em Cantão; e ao alegado papel da sua companheira na ATFPM, conselheira das Comunidades, e parceira política, Rita Santos, na agilização de vistos. Como? Difunde nas redes digitais o comentário difamatório ao nosso jornal de Carlos Roberto Gomes; um facebookiano que nos acusa de “subsidiodependência”, “falta de deontologia”, e de ajudarmos a “turma servil do avental”. Três dias depois, este post havia colhido apenas dois comentários; um deles de Rita Santos: “Bem dito! Esta gente não tem de facto vergonha na cara”.

Temos, temos; mas é vergonha alheia, e deste nível de linguagem. Desconheço o autor de mais esta pérola ética, ou a sua sapiência deontológica. Mas os termos são claros: difamação, e ataques pessoais, fazem parte do código de conduta que Pereira Coutinho e Rita Santos, amiúde, gostam de difundir; e da lama na qual se enterra o PSD Macau, na forma como ataca altos postos de representação portuguesa. Revelam bem a ética que os anima; e um dia perceberão que o insulto e a difamação pervertem o direito à crítica – e têm consequências. Para lições deontológicas falta-lhes prática, e moral; mas para esse debate estamos sempre disponíveis – e interessados.

Não acusamos Rita Santos; somos explícitos na presunção de inocência; pulicamos a sua reação; e, logo na capa, o email com que o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, tenta protegê-la. Presumo que entendam por deontologia nada publicarmos; como, aliás, nos foi pedido. Mas essa não é a escola deontológica imposta aos jornalistas; seguida quando fui relator do Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas, em Portugal – e que pratico há mais de 35 anos. A nossa obrigação é informar, confirmar factos, ouvir visados… e publicar notícias – não é escondê-las.

“Quando a verdade vier à tona, estarão caladinhos”, atira Carlos Roberto Gomes. Não nos conhece, mas verá que publicaremos o que for apurado. E ainda há muito por esclarecer: primeiro, o que se passou em Cantão – e com Rita Santos. Mas há mais… tendo o seu gabinete decidido não comentar o caso, e sendo sua obrigação garantir a transparência – e segurança de Estado – porque Cesário foi tão célere no email a Rita Santos, cheio de armadilhas formais? Sabendo nós – e o governante – que a denúncia existe. Seria aliás amador atravessar-se sem verificar; hipótese que não colhe, face à experiência no cargo, onde é repetente. O que pensam disto o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel; o primeiro-ministro, Luís Montenegro; e as entidades competentes para investigar?

O Estado, o povo português, e a comunidade em Macau, merecem perceber porque Cesário nomeou seu assessor pessoal Vitório Cardoso, estratégico no triunvirato; pago pelo erário público, em Lisboa, a atuar em Macau. Curioso, neste contexto, é Ana Menezes Cordeiro, cônsul em Cantão – até junho deste ano – ser agora chefe de gabinete do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre. Coincidência que a coloca no epicentro do conflito aberto na Escola Portuguesa (EPM); e no qual Pereira Coutinho, Rita Santos e Vitório Cardoso, são megafones tonitruantes.

Há mais verdades por explicar: o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, foi o único a bloquear a presença do trio, imposta por Cesário, em todos os encontros em Macau – e no Consulado em Cantão. Por fim, compete a Cesário explicar à hierarquia do seu Governo, e aos portugueses, porque permite ao PSD local, e seus amigos políticos, a difamação profissional e pessoal de titulares de cargos institucionais de Portugal em Macau. Afinal, representam o país – e a tutela – cuja imagem lhe compete escudar. Há erros na EPM; haverá certamente no Consulado, na AICEP, no Fórum, no IPOR… já o disse, e escrevi; mas é no mínimo estranha a benevolência face ao ataque, sem quartel, e nos termos em que é feito. Aliás, desde os tempos de Vítor Sereno, passando por Paulo Cunha Alves; agora com Alexandre Leitão.

Convido desde já Pereira Coutinho a escrever no PLATAFORMA sobre a ética, os motivos pessoais, políticos, e deontológicos, que o levam a difundir o comentário difamatório de Carlos Roberto Gomes. É um belo debate deontológico; com alto interesse de Estado – e relevante interesse público. Vamos a isso.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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