1. Os benefícios calmantes do chá de ervas
Macau tem uma longa tradição de chás de ervas. O Anuário de Macau de 1958 regista 28 lojas especializadas e mais de 100 bancas de rua. Diz-se que uma das mais antigas, a loja de chás de ervas “Tai Sing Kung” (Voz Forte), na Rua da Palha, remonta ao final do século XIX, tendo recebido esse nome devido ao grito de venda alto do seu proprietário. Na década de 1970, infusões como o chá de 24 sabores, o chá das cinco flores e o chá de cana de bambu com castanha-d’água eram bebidas de consumo diário para refrescar e dissipar a humidade.

2. Nostalgia doce e gelada
“Lai Kei Ice Cream” na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida continua a ser uma das mais antigas da cidade. Tendo começado como uma humilde carrinha de mão na década de 1930, mudou-se para a sua localização atual na década de 1960. À medida que a economia de Macau ganhava impulso nas décadas de 1970 e 1980, estas geladarias tornaram-se os locais de convívio por excelência no verão, levando o Lai Kei à sua época dourada.

3. Piscinas públicas e cabines de banho em bambu
A” Estoril Swimming Pool” , inaugurada em junho de 1952, foi a primeira instalação de natação moderna e higiénica de Macau, outrora considerada a maior do género no sul da China. Antes da existência destas piscinas, os abrigos de bambu para banhistas eram o refúgio de verão por excelência. Nas décadas de 1930 e 1940, os abrigos privados pontilhavam a costa de NAPE — erguidos no início do verão e desmontados no outono. Na sequência de proibições de segurança impostas pelo governo, foram transferidos para a zona de North Point do Reservatório. Acabaram por desaparecer na década de 1990 para dar lugar à Ponte da Amizade, deixando para trás apenas memórias coletivas.

4. O luxo dos cinemas com ar condicionado
Cinemas como o Apollo, Capitol, e o Lido foram dos primeiros a adotar o ar condicionado, o que os tornou locais de entretenimento de eleição. Os cartazes dos filmes exibiam orgulhosamente a menção “Ar condicionado potente” para atrair as multidões no verão.
5. Leques e brisas naturais
Antes de os aparelhos elétricos se tornarem comuns, os ventiladores de teto e os leques de folha de palmeira ou de papel eram os principais meios de refresco. Uma cena típica dos anos 70 mostrava vizinhos reunidos à porta de casa após o jantar, a conversar e a abanar-se ao ar da noite. Além disso, a arquitetura mais antiga dava prioridade à ventilação cruzada natural, permitindo que os moradores desfrutassem da brisa mesmo sem sistemas modernos de refrigeração.

Há cinquenta anos, os habitantes de Macau contavam com chás de ervas agridoces, gelados, cinemas com ar condicionado, a brisa do litoral e o balanço rítmico dos leques de palha para suportar o verão. Hoje, à medida que o aquecimento global, o efeito de ilha de calor urbana e o aumento da humidade intensificam as nossas ondas de calor, os nossos ritmos de vida acelerados e os nossos espaços modernos estão indissociavelmente ligados ao ar condicionado. “A forma como conseguimos equilibrar a expansão urbana com a natureza para recuperar as brisas suaves do passado continua a ser um desafio crucial da nossa época. Repensar a nossa abordagem a um estilo de vida sustentável e com baixas emissões de carbono poderá ser o primeiro passo para ajudar esta cidade a “arrefecer”.

