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Tecnologia ao serviço da inclusão em Macau

A inteligência artificial pode abrir novas respostas para a educação especial, o apoio a idosos e a inovação social. Florence Lei, coordenadora do Sustainable Business Lab da Universidade de São José, defende que a cidade está “no caminho certo”, embora os resultados “não se consigam de um dia para o outro”

Carol Law

A tecnologia deixou de ser apenas uma promessa técnica. No campo da inovação social, começa a ser usada para identificar talentos, aliviar trabalho administrativo de professores, combater o isolamento de idosos e criar soluções mais inclusivas. Em Macau, esse potencial esteve em debate num seminário da Universidade de São José com fundadores de empresas sociais tecnológicas de Hong Kong.

O número de empresas sociais em Macau é proporcional à dimensão da cidade, mas Florence Lei admite que, se se sair do “modelo tradicional”, o “mapa da inovação social é, na verdade, bastante vasto”.

A coordenadora do Sustainable Business Lab defende que plataformas como o Lab estão a promover uma “transição para modelos de capital humano intensivo, aproximando grandes empresas e PME”.

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Sobre a vitalidade empreendedora de Macau, Florence Lei sublinha que o apoio e as infraestruturas locais estão entre os mais abundantes da região. O impulso do Governo para a “diversificação adequada da economia”, em particular nas áreas da “big health” e da alta tecnologia, criou um “quadro político relevante” e tornou “mais fácil para os inovadores sociais adoptarem ferramentas avançadas como a inteligência artificial”, explica ao PLATAFORMA.

Estamos no caminho certo, mas os verdadeiros resultados destes esforços requerem uma acumulação a longo prazo e não se conseguem de um dia para o outro – Florence Lei, professora na USJ

“Estamos no caminho certo, mas os verdadeiros resultados destes esforços requerem uma acumulação a longo prazo e não se conseguem de um dia para o outro”, diz.

A capacidade de dominar e adaptar-se às tecnologias emergentes “não é apenas uma vantagem, mas uma condição necessária para a sobrevivência e o desenvolvimento sustentável num mercado global em rápida mudança”, afirma.

Tecnologia ao serviço das pessoas

Foi neste contexto que o “Sustainable Business Lab” da USJ organizou recentemente o seminário “AI Applications for Social Entrepreneurs”, reunindo em Macau Ernest Chan, fundador da AESIR.hk, e Patrick Lau, fundador da Snaildy Education e da Snaildy Education Charity, ambas de Hong Kong.

O foco do futuro não deve estar apenas na inteligência artificial, “mas sim como utilizamos eficazmente a tecnologia para tornar a nossa sociedade e educação mais inclusivas e igualitárias”, explica Ernest Chan.

A inteligência artificial pode descobrir algumas possibilidades que nos escapam – Patrick Lau, fundador da Snaildy Education e da Snaildy Education Charity

A AESIR.hk desenvolve soluções de realidade aumentada e realidade virtual para necessidades educativas, incluindo ferramentas de aprendizagem, experiências situacionais e treino de reabilitação.

Já a Snaildy Education utiliza inteligência artificial e outras tecnologias para apoiar alunos com necessidades educativas especiais e sobredotados, aliviando também o trabalho administrativo dos professores. Os serviços da empresa já estão disponíveis em Macau.

As duas experiências mostram como a tecnologia pode ser aplicada para além da dimensão técnica. A AESIR.hk foi distinguida como uma das 12 principais empresas sociais da Ásia e uma das 500 melhores startups de tecnologia do mundo. Patrick Lau foi selecionado para a lista “Forbes 30 Under 30 Asia”, na categoria de impacto social.

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Durante o seminário, Ernest Chan apresentou um jogo de desporto com sensores de movimento destinado a idosos. Como muitos têm dificuldades no uso de novas tecnologias, a empresa formou alunos com necessidades especiais – que enfrentam maiores obstáculos no mercado de trabalho tradicional – para atuarem como “embaixadores da tecnologia”, apoiando lares na utilização do sistema.

O jogo já foi expandido para a Austrália e Singapura. “Eles usam a RV para treinar esgrima juntos e podem competir com jogadores de Hong Kong.”

Para Ernest Chan, este tipo de solução mostra que a tecnologia também pode combater o isolamento social: “Com isto, mostramos à sociedade que ser mais velho não significa ter menos amigos; através dos jogos online também se pode fazer amigos”, afirma. O responsável acrescenta ainda que “o modelo implementado em Hong Kong poderá um dia ser aplicado não só em Macau, mas também noutras partes do mundo”.

Os modelos tecnológicos criados em Hong Kong podem ser adaptados à realidade de Macau, defende também Patrick Lau. Na apresentação, o responsável explica que o sistema da Snaildy Education ajuda a identificar o potencial de alunos com necessidades educativas especiais. “A inteligência artificial pode descobrir algumas possibilidades que nos escapam”, explica Patrick Lau.

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