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Poupar nos custos do Metro Ligeiro para o bem da população

Leong Sun IokLeong Sun Iok

Na atual recessão económica, vários residentes estão preocupados com a construção dispendiosa e pouco eficaz do Metro Ligeiro. A verdade é que a epidemia continua a deixar o seu impacto nos cofres da Região Administrativa Especial de Macau, numa altura em que a sociedade e os seus habitantes precisam de recursos e auxílio. Por isso, sugiro às autoridades que poupem enquanto é possível e se gaste apenas o necessário. Pode ser negociado com a companhia que gere o metro de Hong Kong (MTR) uma redução dos custos de contratação de serviços e, consequentemente, do capital investido na infraestrutura, fazendo bom uso destes recursos.

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou a suspensão dos serviços do Metro Ligeiro, devido à imposição do “confinamento parcial” pelo Governo de Macau. Desde a reabertura dos seus serviços, em abril deste ano, depois de estar suspenso o ano passado devido a uma avaria nos cabos, o número médio de passageiros não tem passado dos 1.700 por dia, o que é baixo. Com o atual surto epidémico, o processo de crescimento vai ser demorado e as carruagens e estações vazias serão algo comum. O Governo afirma que o Metro Ligeriro ainda não está a ter o desempenho esperado, já que a rede ainda não está terminada. A estação da Barra – primeira a ser inaugurada – só deverá estar operacional no fim do próximo ano ou em 2024. O Governo deve, portanto, procurar reduzir a pressão destes custos sobre o orçamento.

No ano passado foram gastos no Metro Ligeiro menos 20 por cento do total investido no ano de 2020, sobretudo pela descida no número de passageiros com a pandemia. No entanto, cerca de 720 milhões, ou seja, 86 por cento, foram alocados para a contratação de serviços da MTR de Hong Kong. No ano anterior, esta empresa só tinha recebido dois milhões. Durante a assinatura do contrato acreditava-se que o mesmo tinha, até certa medida, por base o número estimado de passageiros. Defrontando-se com uma redução do número de utentes e a pressão financeira exercida sobre o Governo da RAEM, a MTR de Macau deve assumir a sua responsabilidade social e apresentar ao Governo uma proposta de redução das taxas de contratação dos serviços sem afetar os seus funcionários e respetivos rendimentos.

Devido à carência de conhecimento técnico especializado na área de transportes, Macau ainda depende de recursos externos para determinados cargos. Por isso, espera-se que as autoridades aproveitem esta altura para desenvolver talentos locais no setor, para dar resposta às necessidades futuras e criar mais oportunidades de emprego para a população local. Com o contrato de gestão da MTR (Macau) a terminar no final de 2024, as autoridades partilham que, no futuro, o Metro Ligeiro não vai depender de uma só empresa e irão explorar mais opções. Nesse sentido, espero que as autoridades tomem as devidas providências e incluam cláusulas de responsabilidade social nos futuros contratos, garantindo a relação entre o pagamento de serviços e a performance, salvaguardando os benefícios económicos e sociais do Metro Ligeiro.

*Federação das Associações dos Operários de Macau

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