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“Uma ajuda crucial na luta contra a pobreza” em São Tomé e Príncipe

Gonçalo Lopes

A China tem-se revelado uma peça fundamental no dia a dia da reconstrução financeira em São Tomé e Príncipe. A aposta neste momento é a erradicação da pobreza, mas há outros planos em marcha, como revelou ao PLATAFORMA o conselheiro diplomata Hu Bin

A China e São Tomé e Príncipe restabeleceram relações diplomáticas em 2016, altura em que o governo deste arquipélago lusófono assumiu a ruptura de relações com Taiwan, ‘preferindo’ aliar-se ao maior poderio económico de Pequim. Seis anos volvidos, a aposta tem ganho frutos, sobretudo na luta contra a pobreza, ainda que haja outros projetos em cima da mesa.

Para se ter uma ideia da troca de relações diplomáticas que São Tomé e Príncipe assumiu em 2016, na altura as trocas comerciais entre este país e Taiwan rondavam os 900 mil euros, sendo que neste momento com a China as mesmas superam os 60 milhões de euros. Ninguém duvida, sobretudo os especialistas, que esta opção deveu-se então ao poderio económico de Pequim, em detrimento de Taiwan. Uma ‘aposta ganha’ de São Tomé e Príncipe, sendo que há ainda muito caminho para desbravar. “Com sucesso”, esperam ambas as partes.

“Estamos a trabalhar há já alguns anos com o governo de São Tomé e Príncipe, não só com um objetivo, mas sim em vários projetos. Aquele mais urgente é sem dúvida lutar contra a pobreza. Temos equipas técnicas a trabalhar no país, de forma a instalar sistemas de ajuda ao aumento da produção de bens essenciais, assim como a ajudar à construção de infraestruturas de auxílio à agricultura. O objetivo comum é tentar ser uma ajuda crucial na luta contra a pobreza”, começou por revelar ao PLATAFORMA o conselheiro da Embaixada da China em São Tomé e Príncipe, Hu Bin, dando alguns exemplos do que têm feito nos últimos meses neste arquipélago africano: “Tal como foi apresentado pela Embaixada da China, estamos neste momento com um projeto-piloto em escolas de São Tomé, nomeadamente na instalação de eletrodomésticos para as cantinas e ainda na construção de estufas de cultivo, entre outras formações, como, por exemplo, o ensinamento aos agricultores sobre métodos para erradicar pragas que afetam as colheitas”.

A pobreza é assim, de momento, o maior foco de cooperação entre os dois países, mas de acordo com o diplomata há outros projetos que vão avançar, sobretudo nas áreas da saúde, energia, sustentabilidade, turismo e educação. “Temos vários grupos de trabalho a trabalhar conjuntamente com muitos jovens são-tomenses. São os jovens que têm de levar este país para a frente. E depois de eliminarmos a questão da pobreza, algo que a China pensa não só para São Tomé e Príncipe, mas em todo o mundo, daí termos uma cooperação internacional com quase todos os países de terceiro mundo, queremos avançar em outros. Mas é preciso levar este processo para a frente com muita calma. Há questões muito mais prioritárias neste momento, como a pobreza ou a fome, como já referi. Outros temas, como os também revelados, serão tratados posteriormente, independentemente de já estarem a ser tratados entre os dois países. No entanto, todos entendemos que este, o da pobreza, é aquele que necessita de muito maior atenção neste momento”, salientou, apontando também para o tema da saúde.

“A pobreza está também aliado à saúde e é preciso muito trabalho também nessa área. As nossas equipas técnicas chinesa tem ajudado a parte são-tomense para elaborar uma nova estratégia de luta contra várias doenças, sobretudo com novas formas de tratamentos e felizmente já temos tido muitas boas notícias, essencialmente em comunidades que se tornam epidémicas”, disse o conselheiro.

Fórum Macau, uma plataforma essencial

Neste momento, a grande mais valia que São Tomé e Príncipe pode ter em relação a outros países que trabalham com a China são os produtos alimentares, que são mais de 50% dos elementos exportados do país. Hu Bin entende que o Fórum Macau poderá ser essencial para um sucesso financeiro deste arquipélago.

“Para que os produtos são-tomenses possam ter ainda mais visibilidade no mercado chinês é essencial que os empresários possam saber trabalhar e negociar bem em ferias de importação chinesas e ainda no Fórum Macau. Alias, este é uma plataforma essencial para que esses mesmos produtos possam ter um acesso facilitado ao mercado chinês. Estamos a trabalhar também com os empresários no sentido de terem formações nesse sentido”, disse, salientando também que será através do Fórum Macau que São Tomé e Príncipe receberá ainda mais apoio na recuperação económica pós-pandemia.

“Sabemos que todo o mundo ainda está a sofrer com a pandemia de Covid-19, mas temos de trabalhar já a pensar na recuperação económica. Nesse sentido, o governo de São Tomé já pediu ajuda ao Fórum Macau, sobretudo na definição dos eixos centrais de atuação futura”, concluiu.

Um Porto de ajuda a São Tomé

Ainda no que a projetos dizem respeito entre os dois países e depois de se terem iniciado os primeiros contactos há dois anos, antes da pandemia, há agora negociações muito avançados entre China e São Tomé e Príncipe para a construção de um novo porto comercial multi-funcional.

Será um projeto não só apenas de cooperação com a China, mas também com algumas empresas deste país asiático e ainda com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

O novo porto multiusos será uma infraestrutura adaptada às realidades do arquipélago e ao seu posicionamento comercial nesta sub-região da África Central. Entre os potenciais interessados no projeto estão a empresa China Road & Bridge Corporation e a Macau Legend Development, sendo que a construção do mesmo está apontado para a localidade de Fernão Dias, a norte de São Tomé.

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