Início Macau “Fazer da Culinária um ponto de atração para quem nos visita”

“Fazer da Culinária um ponto de atração para quem nos visita”

Guilherme Rego

A gastronomia macaense tem lugar reservado no coração da diretora da Direcção dos Serviços de Turismo. Ao PLATAFORMA, Helena de Senna Fernandes revela os esforços encetados para fazer da culinária local um dos pontos de atração de Macau, sem nunca esquecer a implementação gradual de práticas sustentáveis

“Conseguimos recolher pertode 300 receitas, manuscritos e publicações”

No contexto das comemorações do Dia da Gastronomia Sustentável, a diretora da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, quer utilizar a Gastronomia para promover práticas sustentáveis a assume o “dever” de preservar a Cozinha Macaense

O que é que faz da culinária macaense algo tão especial e único?
Maria Helena de Senna Fernandes – Para mim é algo singular porque sou macaense. Esta gastronomia é algo que me toca no coração, porque significa que estou em família e em casa. Num contexto mais lato, a cozinha macaense, que eu considero uma das culinárias de fusão mais antigas do mundo, combina uma variedade de culturas de diferentes continentes, porque falamos de Portugal, Europa, África, Índia, Malaca e, finalmente, a China. É uma culinária muito internacional, pois reúne em Macau todos estes locais. É parte da nossa cultura e faz da comida macaense algo extremamente singular.

Leia mais sobre o assunto em: “Extremamente importante para a preservação da cultura macaense”

A culinária macaense foi incluída na Lista de Património Cultural Imaterial Nacional. Que tipo de influência isso tem na promoção da comida local?
M.H.S.F. – É muito importante que a culinária macaense tenha sido incluída na Lista de Património Cultural Imaterial Nacional. É o reconhecimento do Governo Central e do Interior da China de que a culinária macaense é parte integrante da cultura de Macau e do caráter único da região. É mais uma razão para continuar com este legado e cultura, fazendo da culinária um dos pontos de atração para quem nos visita. Aqui situa-se a origem da culinária macaense. Sendo uma cidade gastronómica, segundo o contexto da UNESCO, diria que o reconhecimento dá-nos motivação para incentivar outros a visitarem Macau, de maneira a poderem provar a nossa gastronomia.

Que papel tem tido a Direcção dos Serviços de Turismo no apoio e promoção da Base de Dados da Cozinha Macaense?
M.H.S.F. – Esta base de dados foi algo concebido quando fizemos a inscrição para nos juntarmos à Rede das Cidades Criativas da UNESCO. A ideia era usar o exemplo de Chengdu, a primeira cidade chinesa criativa da gastronomia da UNESCO. Agora, é possível definir alguns parâmetros, nomeadamente acerca da culinária de Sichuan, por exemplo. Nós não fomos tão longe ao ponto de classificar ou tabelar parâmetros sobre o que de facto constitui a culinária macaense. No entanto, achamos que para o bem da sustentabilidade a longo prazo da passagem da culinária macaense para futuras gerações, é nosso dever guardar e preservar as receitas das gerações mais velhas. O objetivo é continuar a herança. Durante os primeiros quatro anos desde que somos uma cidade gastronómica da UNESCO, tentámos compilar as receitas e os manuscritos, bem como a experiência das gerações mais velhas. Encetámos uma parceria com o Instituto Cultural, o Instituto de Formação Turística (IFT) e com o Instituto Internacional de Macau (IIM). O IC já tem na sua posse alguns dos manuscritos, mas estes ainda não sofreram qualquer tratamento especial. Através do IIM, fomos capazes de pedir diversas receitas das Casas de Macau espalhadas pelo mundo. Algumas necessitaram de preservação, porém, conseguimos recolher perto de 300 receitas, manuscritos e publicações. Vamos usar a base de dados para experimentarmos as várias receitas, de maneira a guardar o autêntico sabor macaense. Isto é um projeto que nos orgulha. Dá muito trabalho, mas vale a pena o esforço.

Enquanto membro da Rede das Cidades Criativas da UNESCO, o que nos pode dizer sobre o dia 18 de junho (Dia da Gastronomia Sustentável)?
M.H.S.F. – Desde 2016 que celebramos este Dia. Da nossa parte, é um marco muito especial porque várias pessoas acham que o conceito de cidade gastronómica só se prende a boa comida, bons restaurantes e a uma boa herança. No entanto, é necessário realçarmos o porquê de preservarmos a nossa herança e implementarmos uma vida mais sustentável. A culinária pode ajudar a incutir essa sustentabilidade. Para tornarmos o mundo mais sustentável, todos têm de contribuir. Sendo uma cidade gastronómica, queremos utilizar a culinária para promover essa sustentabilidade.

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