"Cimeira é chave para que pandemia não seja outra década perdida para a América Latina"

“Cimeira é chave para que pandemia não seja outra década perdida para a América Latina”

Chefe de governo de Andorra, anfitrião da cimeira ibero-americana desta quarta-feira, conta ao DN o que esperar do encontro, onde Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa marcam presença

Andorra acolhe amanhã a XXVII Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo. O impacto da pandemia da covid-19, que obrigou a adiar o encontro previsto para o ano passado e a que a grande maioria dos líder latino-americanos participe apenas por videoconferência, será o tema dominante. Ao DN, o chefe do Governo de Andorra, Xavier Espot Zamora, lembra a necessidade de uma ação conjunta de todos para superar este desafio.

O que significa para Andorra fazer parte da comunidade ibero-americana e receber esta cimeira de chefes de Estado e Governo?
Andorra faz parte da comunidade ibero-americana desde 2005. Somos o membro mais pequeno e também o mais recente e, desde o princípio, sempre tivemos uma participação muito ativa. Para o nosso país os fóruns multilaterais são uma peça chave da política internacional. Tendo em conta a nossa reduzida dimensão territorial, é vital poder estar nestes organismos multilaterais porque é uma forma de a nossa voz poder ser mais ouvida. Mais além desse aspeto utilitarista, para nós também é importante fazer parte porque isso vai ao encontro da nossa filosofia e ação de governo. Por razões históricas e quase do nosso ADN, levamos impregnados os valores do diálogo, da resolução pacífica de conflitos, da desmilitarização, da neutralidade… São os mesmos valores que se defendem e se transmitem nos fóruns multilaterais. Ainda mais nestes momentos. Se algo esta pandemia demonstrou é que só podemos superá-la de forma coordenada e conjunta, de forma solidária. Neste sentido, os organismos multilaterais e a cimeira ibero-americana são absolutamente chave.

O tema da cimeira é “Inovação para o Desenvolvimento Sustentável – Objetivo 2030. Ibero América frente ao desafio do coronavírus”. Que impacto terá a pandemia nos próximos anos na região?
Todos sabíamos que o crescimento económico e social só podia vir da parte do desenvolvimento sustentável, portanto da agenda 2030 e dos 17 objetivos estipulados pelas Nações Unidas. E que, evidentemente, um aspeto essencial era a inovação. Se isso fazia sentido antes da pandemia, ainda tem mais sentido agora. A pandemia teve consequências económicas e sociais para todo o mundo ibero-americano e, particularmente, para os países que tinham mais dificuldades. Só podemos deixar para trás esta pandemia e voltar a recuperar o caminho do crescimento económico e social, se o fizermos através dos objetivos do desenvolvimento sustentável. O mundo de amanhã será sustentável ou não será. É desde este ponto de vista que temos que ver a recuperação pós-pandemia.

Numa entrevista ao DN, a secretária-geral ibero-americana, Rebeca Grynspan, disse que sem ajuda, será outra década perdida para a América Latina. Concorda? O que pode a comunidade ibero-americana fazer para ajudar?
Concordo absolutamente. A secretária-geral ibero-americana tem sido muito clara em alertar para as consequências da covid-19. A pandemia não vê fronteiras e é verdade que todos fomos atingidos, mas não todos da mesma maneira. Alguns partiam com vantagem, outros em desvantagem. Onde os sistemas de saúde pública não são tão sólidos ou onde não se pode apoiar o tecido económico e social com tantas medidas económicas, obviamente as consequências da pandemia estão a ser mais duras e vão ser mais duras. É por isso que, desde o espaço ibero-americano, devemos estabelecer as bases para evitar um retrocesso, para desenvolver uma agenda económica, sanitária, meio-ambiental comum, que reforce o multilateralismo como ferramenta chave para esta recuperação. Por isso acho que a declaração de compromissos concretos desta cimeira ibero-americana vai ser chave para que a pandemia não seja outra década perdida para a América Latina. Todos e particularmente aqueles que partiam com vantagem, temos que nos pôr ao serviço dos países mais desfavorecido, para lhes dar as ferramentas, o know-how, e para dar o nosso grão de areia para que, de maneira conjunta, possamos superar este desafio.

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