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Nós que nos atam

Paulo Rego*

A histeria das fronteiras voltou, na última década, com o sucesso do comunismo capitalista chinês. São nós que atam as relações internacionais.

Por um lado, Pequim assumiu ambições expansionistas – até para consumo interno – espelotando forças de bloqueio, quer a oriente quer a ocidente. Por outro, o Covid-19 e a retração económica atam entre todos nós nacionalismos e protecionismos, inflacionando a crise económica e reacendendo conflitos. O Homem político tem esse impulso estranho: sempre em frente, até ao abismo. Contudo, contra as lições do passado, o ego emerge à superfície; afoga o juízo e a ética da relação.

O regresso da disputa das Ilhas Diaoyou, no Mar do Sul da China, é um dos símbolos mais caricatos dessa falta de senso. Fossem as rochas de ouro, estivesse ali a miríade da Atlântida…. e seria apenas venal. Mas naquele naco de nada, só mesmo o desvario geostratégico e a demonstração de poder justifica a ação-reação entre China e Japão, com Taiwan e as Filipinas a meterem a colher. Uma vez que a tensão é recorrente; devia há muito ter sido pacificada.

Talvez o Homem político veja o passado; quiçá o Covid-19 ponha juízo no bicho Homem; quem dera que o Homem tecnológico, informado, ambiental e pacífico… pusesse os monstros na ordem

Noutro quadrante, os dois grandes gigantes asiáticos matam-se corpo a corpo. Em causa está a Linha de Controle Real entre a China e a Índia, no vale de Galwan, em Ladakh, na disputada região da Caxemira, altamente militarizada e palco de reivindicações territoriais também com o Paquistão.

Em Hong Kong, o conflito eterniza-se, com consequências dramáticas para a população, a economia regional e os interesses globais da China. Ambos os lados são responsáveis por terem cortado pontes para o diálogo. Mas é também óbvio que é uma arma de arremesso que muitos alimentam contra a China.

Talvez o Homem político veja o passado; quiçá o Covid-19 ponha juízo no bicho Homem; quem dera que o Homem tecnológico, informado, ambiental e pacífico… pusesse os monstros na ordem. Mas parece que vem aí mais do mesmo. Não se adivinha grande coisa…

*Diretor-geral do Plataforma

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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