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“Há espaço para melhorar”

A diretora da Zheng Guanying defende que a escola está a cumprir os objetivos do bilinguismo, mas assume que se pode fazer mais no acompanhamento dos alunos e cooperação com os encarregados de educação. Wu Kit garante que o ensino bilingue, testado este ano em duas turmas, foi um sucesso. Para o ano, vai duplicar o número de turmas.

– Quais são os principais desafios deste projeto-piloto que é a primeira escola trilingue em Macau?

Wu Kit – A Zheng Guanying tem como língua veicular o mandarim. A língua materna das crianças é o cantonense. Ou seja, temos de criar um ambiente propício à aprendizagem do idioma. Estamos muito satisfeitos com a implementação das turmas bilingues no ensino primário e secundário. O objetivo do programa bilingue é que os alunos, quando concluam o ensino secundário, dominem as línguas portuguesa e chinesa. O projeto curricular pressupõe um ensino 50/50 em mandarim e português. Os desafios que enfrentamos prendem-se com a organização curricular e das atividades. Sabemos que o nível dos alunos é diferente e por isso, em algumas turmas, temos dois docentes para que haja um acompanhamento. Também temos ensino complementar, uma ou duas vezes por semana.

  Quais são as mais-valias destes alunos e desvantagens face aos de outras escolas?

W.K. – O espaço e as instalações são novos, os professores também são relativamente jovens, têm línguas maternas diversificadas e vêm de diferentes contextos. As turmas são pequenas – não excedem os 27 alunos. Temos 19 turmas. No total, são 352 alunos. É como se fossemos uma família. Tanto professores como funcionários conseguem acompanhar os alunos da melhor maneira. Não vou referir as desvantagens, prefiro falar em desafios, como por exemplo a adaptação à língua. As crianças falam cantonense em casa e aqui falam em mandarim, por isso precisam de cerca de um semestre para se adaptarem. Quanto ao português, também precisam de se adaptar. Oferecemos uma aprendizagem temática e lúdica para facilitar esse processo. No ensino primário, o grau de exigência já é maior. As línguas passam a ser instrumentos de aprendizagem e apreensão de conhecimentos. Sabemos que os pais têm dificuldades em dar apoio em casa [porque não dominam os idiomas veiculares] e por isso temos consciência que a aprendizagem tem de se concentrar na escola.

– Uma escola multicultural é propícia a criar alunos mais abertos. Sente que está a formar uma geração diferente? 

W.K.  Esperamos que os nossos alunos tenham um pensamento crítico e que desenvolvam essa capacidade desde a infância. É por isso que temos um clube de debate. É porque consideramos que o pensamento crítico e a capacidade de o desenvolver são primordiais. Além do clube, e falando em geral, é suposto que os nossos alunos questionem e desenvolvam múltiplas capacidades em todas as disciplinas.

– Houve alterações curriculares quando assumiu a direção. Que mudanças foram essas e porque decidiu fazê-las? Acha que o modelo anterior não cumpria os objetivos?

W.K.  O programa curricular segue as indicações do quadro curricular do Governo. A implementação das línguas é para ser feita faseadamente. Ajustámos um pouco os tempos letivos. Por exemplo, Ciências da Natureza antes tinha cinco componentes letivas, mas agora tem quatro. Anteriormente, o inglês tinha três tempos letivos e agora é uma disciplina nas turmas bilingues. Já nas não bilingues, tem cinco tempos letivos. No ano passado, tivemos um professor de língua portuguesa para dar a aula de música que não pode este ano e por isso é que a disciplina passou a ser em mandarim. Para o próximo ano, já vai voltar a ser em português. 

– Sente que a escola tem cumprido as metas a que se propôs?

W.K. – Acho que conseguimos atingir os objetivos, mas há espaço para melhorar, por exemplo ao nível do acompanhamento dos alunos e da cooperação com os pais.

– Houve uma queda no número de alunos portugueses e não chineses. 

W.K. – Falámos com os encarregados de educação que desistiram da escola. A maioria dos alunos que saiu foi porque os pais voltaram ao país de origem ou porque foram para escolas cujo ensino é em português. A maioria dos alunos desiste, sobretudo, no primeiro ano por causa da adaptação à língua. Começam a falar em chinês às 8:30 e terminam às 5:30. Acho que o número é normal. 

– Vai aumentar o número de turmas bilingues?

W.K. – Temos duas turmas bilingues. Para o próximo ano, vamos ter quatro: segundo ano do ensino primário e do secundário, e novamente primeiros anos do primário e secundário.

– Qual é a estratégia da escola para cumprir as metas de ser trilingue e formar quadros bilingues?

W.K. – Durante este ano letivo, através dos Serviços de Educação e Juventude, conseguimos estabelecer parcerias com duas escolas não locais: uma de Lisboa, a outra de Shenzhen, ambas também com ensino primário e secundário. Com a de Portugal, vamos implementar um plano de cooperação educativo em três fases. No próximo ano, vamos lançar uma plataforma online que implica um intercâmbio anual sobre um tópico cultural decidido por ambas as partes. As duas escolas vão organizar atividades que depois estarão online. O objetivo é que professores e alunos, através deste contacto online, melhorem o português – audição, oralidade e escrita. É uma forma de incentivar os alunos a aprender o português e perceberem a importância do idioma na vida diária. Esperamos que, através destas atividades, aprendam o português, mas também apreendam a cultura para que desenvolvam essa literacia cultural. 

– E com a de Shenzhen?

W.K. – Estivemos em Shenzhen, em abril e maio, para participar num concurso de chinês da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, e ganhámos o segundo prémio em conjunto com a nossa parceira de Shenzhen. Também participámos noutras atividades culturais que juntam escolas de Hong Kong e de outras partes da Grande Baía. 

C.B.S.  01.06.2018

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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