Os bombeiros conseguiram durante a noite cercar completamente o maior incêndio florestal da Bélgica do último século, mas a situação no terreno “continua complicada”, com as equipas a combater vários novos focos, disseram as autoridades esta quarta-feira (19).
O porta-voz da célula de crise, Tony Hosmans, afirmou que o incêndio que lavra na reserva natural das Hautes Fagnes “foi cercado” e não está a avançar para leste, em direção à Alemanha. O objetivo para hoje é controlar o fogo, “se possível com apoio aéreo”. “A situação continua complicada devido a vários focos que surgiram em diferentes zonas do local”, acrescentou.
O incêndio, que está a consumir uma extensa área de turfeiras, pinheiros e trilhos pedestres, cresceu durante o fim de semana até atingir cerca de metade da área de Manhattan – 3.000 hectares -, embora centenas de bombeiros, que trabalham dia e noite, tenham conseguido impedir a sua propagação.
A última frente a ser cercada encontrava-se numa zona de difícil acesso, junto à fronteira alemã, onde as equipas terrestres trabalharam durante toda a noite para fechar a abertura, avançando a partir de leste e norte em condições muito difíceis.
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As operações no local têm sido dificultadas pelo terreno das Hautes Fagnes, composto por uma combinação de zonas de charneca, turfeiras e passadiços de madeira elevados.
Aviões de combate a incêndios provenientes da Noruega, Alemanha, Suécia e Países Baixos deslocaram-se à região para ajudar, mas não conseguiram operar na terça-feira devido à baixa nebulosidade.
A chuva que tem caído de forma intermitente na região abrandou a propagação do fogo ao aumentar os níveis de humidade, mas as condições meteorológicas têm dificultado fortemente o apoio aéreo desde segunda-feira.
Fogo subterrâneo
A Europa tem sido atingida há várias semanas por incêndios florestais devastadores, alimentados pelas condições secas e por um verão com temperaturas historicamente elevadas, com França, Grécia, Portugal e Espanha também a combaterem grandes incêndios.
O incêndio nas Hautes Fagnes deflagrou na sexta-feira por causas ainda desconhecidas, numa zona que foi devastada por grandes incêndios em 1911, durante um período de ondas de calor semelhante. É o maior incêndio florestal registado no país desde então.
O incêndio levou as autoridades a ordenar a evacuação da cidade alemã de Monschau, junto à fronteira, bem como de duas aldeias belgas. Entretanto, os residentes da localidade de Sourbrodt já receberam autorização para regressar a casa.
Mesmo depois de o incêndio ser controlado, as autoridades alertam que serão necessárias semanas ou até meses de rega e de operações de extinção para impedir que as chamas voltem a surgir.
“O fogo está a arder na turfa, portanto, está efetivamente debaixo do solo, por vezes a uma profundidade considerável”, explicou o chefe dos bombeiros da região, David Covens, durante uma visita a uma das zonas afetadas.
“Sempre que mexemos no solo, quando cortamos uma árvore e expomos a terra, o fogo pode reacender-se”, afirmou. “Estamos a fazer tudo o que podemos com os recursos disponíveis, mas sabemos que isto vai demorar muito tempo.”