O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) está a avançar mais rapidamente do que qualquer epidemia anterior da doença e corre o risco de se espalhar para outros países, alertou esta terça-feira o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Temos de ser francos: a epidemia está longe de estar controlada”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus numa reunião de emergência sobre o surto. “Começou com uma grande vantagem e continuamos a tentar recuperar o atraso.”
As declarações surgiram depois de a RDC ter anunciado na segunda-feira que o surto já provocou mais de 2.300 mortos entre cerca de 5.000 casos, tornando-o o mais mortífero da história do país.
Declarado a 15 de maio, o 17.º surto de Ébola na RDC já se encontraria em propagação há várias semanas nessa altura. O surto atingiu regiões do norte e do leste do país onde a presença do Estado é limitada, as infraestruturas de saúde são escassas e vários grupos armados atuam há décadas.
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Esta terça-feira realizou-se a segunda reunião do comité de emergência da OMS desde que, a 17 de maio, declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional – o segundo nível de alerta mais elevado da organização. Ainda não era claro quando o comité divulgaria as suas recomendações.
Atualmente, a agência de saúde das Nações Unidas classifica o risco para a saúde pública como “muito elevado” a nível nacional na RDC, “elevado” no Uganda e nos restantes países vizinhos, e “baixo” no resto de África e do mundo.
Até ao momento, foram registados casos em seis províncias da RDC, incluindo zonas próximas da fronteira com o Sudão do Sul, bem como no vizinho Uganda.
“O risco de uma maior propagação nacional e internacional continua elevado”, alertou Tedros. “Está a avançar mais depressa do que qualquer surto anterior de Ébola”, afirmou, segundo uma transcrição das suas declarações.
O surto registado na RDC entre 2018 e 2020, anteriormente considerado o mais mortífero da história do país, provocou 2.299 mortos entre 3.381 casos confirmados, segundo dados da OMS baseados em informações congolesas.
O surto de Ébola mais mortífero de sempre ocorreu na África Ocidental entre 2013 e 2016, causando mais de 11.300 mortos, sobretudo na Libéria, Serra Leoa e Guiné.