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Ébola poderá ter circulado meses sem ser detetado na RDC. O que está a dificultar a resposta

O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) poderá ter começado meses antes de ser identificado oficialmente. A OMS alerta agora para dificuldades na deteção precoce dos casos e no acesso ao tratamento

Xinhua

O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) poderá ter começado já em fevereiro, vários meses antes de ser oficialmente declarado em maio, indicam estudos de sequenciação genética, segundo um responsável da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Numa conferência de imprensa realizada em Bunia, capital da província oriental de Ituri e epicentro do surto, o diretor regional da OMS para África, Mohamed Yakub Janabi, afirmou que a sequenciação genética indica que o vírus poderá ter circulado durante vários meses antes do surto ser detetado. A RDC declarou oficialmente, a 15 de maio, surtos de doença provocados pelo vírus Bundibugyo.

Até 7 de agosto tinham sido registados na RDC 4.209 casos confirmados, incluindo 1.916 mortes. Foram identificados casos nas províncias de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uele e Tshopo, no leste do país, segundo os dados mais recentes divulgados pelas autoridades locais.

“Estamos a perseguir o vírus. O vírus está à nossa frente”, afirmou Janabi, referindo-se ao período prolongado durante o qual a transmissão poderá ter passado despercebida.

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Algumas infeções na fase inicial do surto poderão ter sido inicialmente atribuídas a outras doenças, incluindo malária e febre tifóide, contribuindo para atrasos na identificação da dimensão da transmissão do Ébola, explicou Janabi. O responsável alertou para a possibilidade de o vírus ter circulado durante um período prolongado sem ser detetado.

Janabi acrescentou que o vírus está a propagar-se mais rapidamente do que inicialmente previsto e que o atual surto apresenta diferenças em relação a anteriores surtos provocados pelo vírus Bundibugyo, registados no Uganda em 2007 e na RDC em 2012.

As equipas de resposta continuam, entretanto, a detetar apenas uma parte das infeções suficientemente cedo. Cerca de 60% a 70% das mortes, afirmou Janabi, ocorreram fora dos centros de tratamento.

A 7 de agosto, um grupo de aconselhamento técnico da OMS recomendou que a vacina Ervebo fosse considerada prioritária para inclusão num ensaio clínico aleatorizado no contexto do atual surto.

Marie Roseline Belizaire, especialista da OMS, afirmou que os estudos apontam para a possibilidade de existir proteção cruzada. Estão em curso discussões sobre ensaios clínicos destinados a avaliar se a vacina poderá proteger seres humanos contra o vírus Bundibugyo.

A representante da OMS na RDC, Anne Ancia, afirmou que uma parte significativa da população de Kivu do Norte foi vacinada com Ervebo durante o surto de Ébola que atingiu o país entre 2018 e 2020.

Os dados disponíveis mostram que profissionais de saúde previamente vacinados que foram infetados pelo vírus Bundibugyo durante o atual surto sobreviveram e parecem ter desenvolvido formas menos graves da doença, segundo Ancia. O resultado poderá apontar para um possível efeito de proteção cruzada, embora este ainda tenha de ser confirmado por estudos adicionais.

Janabi defendeu que uma maior participação das comunidades, a deteção mais precoce dos casos e a descentralização do tratamento serão fundamentais para alterar a evolução do surto nas próximas oito a 12 semanas.

O atual surto é o 17.º de Ébola registado na RDC. É já o maior surto de Ébola alguma vez registado no país e o segundo maior a nível mundial, apenas atrás da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.

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