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Sismo de 7,4 mata pelo menos 132 pessoas na Colômbia. Resgates continuam entre edifícios destruídos

Um sismo de magnitude 7,4 matou pelo menos 132 pessoas e feriu mais de 570 na Colômbia. As equipas de emergência continuam a procurar sobreviventes enquanto várias cidades enfrentam danos graves e interrupções de serviços

AFP

Voluntários e equipas de socorro colombianos procuraram sobreviventes entre os escombros, usando as próprias mãos e baldes, na madrugada de terça-feira (11), depois do sismo mais forte registado no país numa década ter provocado pelo menos 132 mortos e destruído dezenas de edifícios.

O sismo, de magnitude 7,4, atingiu várias cidades do oeste da Colômbia pouco depois das 7h30 locais (20h30 em Macau), levando moradores em pânico a sair para as ruas. Segundo a Associação Colombiana de Capitais, uma organização que coordena as principais cidades do país, o sismo tinha provocado 132 mortos e mais de 570 feridos até segunda-feira à tarde.

O Presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que tinha tomado posse apenas três dias antes, declarou o estado de emergência e prometeu uma operação de socorro coordenada. De la Espriella tinha anteriormente indicado que o número de mortos era de 111.

A cidade de Pereira, uma das mais afetadas, ficou praticamente às escuras na noite de segunda-feira devido às falhas no fornecimento de eletricidade, enquanto voluntários procuravam sinais de vida sob edifícios desmoronados. “Estamos sem eletricidade. Isto parece, sinceramente, uma cidade zombie”, disse à AFP o residente Juan David Gaitan.

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O tatuador Andres Hernandez afirmou estar preocupado com familiares e amigos e disse que permaneceria acordado, uma vez que as estruturas à sua volta estavam “à beira de desabar”. Hernandez contou que estava a dormir em casa quando sentiu o sismo e correu para a rua em busca de segurança, enquanto o abalo devastava a cidade, situada no coração da região colombiana produtora de café.

“Parecia uma cena de um filme, porque vi os postes, os cabos, tudo a mexer-se. Estou preocupado com a minha família, com os meus amigos”, afirmou.

Várias cidades apresentavam sinais de destruição, com móveis e tecidos soterrados entre betão, paredes e pisos deslocados em ângulos irregulares, enquanto cabos ficaram espalhados pelas estradas. Em Manizales, o sismo provocou o colapso de uma torre da conhecida catedral neogótica da cidade. Em Quibdó, capital do departamento de Chocó, a responsável local Jenny Rivas afirmou que os serviços públicos e as comunicações “foram praticamente interrompidos”.

“As pessoas saíram a correr nuas, houve pessoas que saltaram do segundo andar das suas casas”, recordou Wilmer Cuesta, residente em Quibdó e estudante de Direito.

O dentista Julian Pena contou que “correu para a rua sem levar nada” depois de sentir fortes movimentos e encontrou centenas de pessoas a fazer o mesmo. “As pessoas estavam a rezar na rua. Foi avassalador”, disse à AFP. “Há muitos edifícios com aberturas e fissuras. Outros desabaram completamente.”

Buscas durante a noite

O sismo foi sentido em grande parte da Colômbia, incluindo na capital, Bogotá, onde muitas pessoas saíram para a rua ainda de pijama. Com uma profundidade de 110 quilómetros, o sismo também foi sentido nos países vizinhos, Equador e Panamá. Especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicaram que o sismo terá sido provocado pelo movimento ao longo de uma falha profunda no interior da placa tectónica de Nazca.

Segundo as autoridades locais, os hospitais de cinco cidades colombianas foram colocados em alerta vermelho e foi decretado um recolher obrigatório noturno em Cali. Pelo menos seis aeroportos locais suspenderam as operações, informou a agência de aeronáutica civil.

A estrela colombiana da música pop Shakira juntou-se aos apelos à união. “Envio toda a minha força e amor à minha pátria. Vamos manter-nos unidos”, escreveu.

Em Cali, a terceira maior cidade da Colômbia, voluntários começaram rapidamente a trabalhar com picaretas, ferramentas básicas e as próprias mãos, numa tentativa de encontrar sobreviventes.

“Chegar aqui foi inacreditável. Parecia o fim do mundo – carros e motas a circular em sentido contrário, toda a gente à procura dos seus familiares”, contou o voluntário de resgate Nelson Moreno. “O que precisamos agora são lanternas e óculos de proteção” para continuar os trabalhos durante a noite, acrescentou.

As equipas de socorro formaram cadeias humanas para retirar tijolos e outros materiais de construção, interrompendo o trabalho a cada poucos minutos para escutar eventuais sinais de vida das pessoas presas nos escombros. “Estamos a tentar tirar toda a gente com vida”, afirmou outro voluntário, Andres Felipe Mejia. “Veio muita gente, com mantimentos, comida, a ajudar os bombeiros e as pessoas”, acrescentou.

Apoio internacional

A destruição ocorre menos de dois meses depois de dois fortes sismos terem atingido a vizinha Venezuela, provocando mais de 6.300 mortos e deixando dezenas de milhares de pessoas sem habitação. Vários países da região e de outras partes do mundo enviaram mensagens de apoio à Colômbia.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos estavam a “acompanhar de perto” a situação e “prontos para apoiar o povo da Colômbia”. Posteriormente, os Estados Unidos anunciaram 15,5 milhões de dólares (13,4 milhões de euros) em ajuda de emergência.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia tinha mobilizado o Copernicus, serviço de observação por satélite, para apoiar as operações de socorro. Israel, México, Equador e França também se ofereceram para prestar assistência.

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