A China pediu para participar nas consultas abertas na Organização Mundial do Comércio (OMC) na sequência da disputa iniciada pelo Brasil contra os Estados Unidos sobre tarifas adicionais aplicadas a determinados produtos brasileiros, revelou hoje (11) a organização.
O pedido chinês foi apresentado em 6 de agosto e comunicado ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, refere um documento divulgado pela organização.
A China, detalha, pretende juntar-se às consultas solicitadas pelo Brasil no âmbito da disputa “Estados Unidos – Direitos adicionais sobre determinados produtos originários do Brasil”, cujo pedido foi distribuído pela OMC em 30 de julho.
Pequim justificou o pedido com o argumento de que possui um “interesse comercial substancial” nas consultas entre Brasil e Estados Unidos.
Leia também: Brasil apresenta à OMC pedido de consultas com Estados Unidos sobre novas taxas
Segundo as regras da Organização Mundial do Comércio, os países envolvidos nas consultas, a exemplo do Brasil e dos EUA, precisam autorizar a participação de um terceiro membro, no caso, a China.
Brasília acionou a OMC contra duas tarifas aplicadas pela administração de Donald Trump, sendo uma de 25% pelo facto de Washington entender que o Brasil adota práticas desleais relativamente às empresas norte-americanas.
Os EUA também aplicaram tarifas de 12.5% ao Brasil, assim como a outras dezenas de países que supostamente falharam na fiscalização de importação de produtos produzidos a partir do trabalho forçado.
Pequim destacou que essas medidas afetam as suas exportações para o mercado norte-americano, com exceção de determinados produtos, e alteram as condições de concorrência dos produtos chineses devido às tarifas adicionais impostas.
Também hoje, a Organização Mundial do Comércio informou que os EUA aceitaram o pedido do Brasil para iniciar consultas no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
No documento, Washington sinalizou estar disponível para reunir com representantes da missão brasileira numa data que seja conveniente para ambas as partes.
A aplicação das sobretaxas dos EUA ao Brasil é mais um capítulo da crise diplomática entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto.
O executivo liderado pelo Presidente Lula da Silva tem dito, reiteradas vezes, que são falsas as alegações de Washington contra o Brasil e acusa Donald Trump de aplicar sanções ao país como forma de interferir no processo eleitoral brasileiro.