Início » Macau prevê investir 130 mil milhões para diversificar a economia até 2030. Onde será aplicado o dinheiro

Macau prevê investir 130 mil milhões para diversificar a economia até 2030. Onde será aplicado o dinheiro

Macau prevê investir cerca de 130 mil milhões de patacas em grandes projetos para diversificar a economia até 2030. A estratégia passa por tecnologia, educação, Hengqin e renovação urbana, mas a meta é fazer com que os setores não relacionados com o Jogo cheguem a 60% do PIB

Plataforma

O Governo de Macau prevê investir cerca de 130 mil milhões de patacas (13,9 mil milhões de euros) em grandes projetos ligados à diversificação económica durante o período do Terceiro Plano Quinquenal, que abrange de 2026 a 2030. Num artigo publicado hoje (11) na China Newsweek, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, apresenta a diversificação, a integração com Hengqin e a renovação urbana como alguns dos principais eixos da estratégia de desenvolvimento de Macau para os próximos cinco anos.

Sam Hou Fai defende que o objetivo é fazer com que as indústrias não relacionadas ao Jogo representem cerca de 60% do Produto Interno Bruto de Macau até 2030. Para atingir essa meta, o Governo pretende aumentar o apoio financeiro e utilizar o Fundo de Orientação Governamental como instrumento para atrair empresas, tecnologia e quadros qualificados.

O Chefe do Executivo aponta oito linhas de atuação, que incluem o reforço da coordenação das políticas de diversificação, a expansão do fundo governamental, a execução de quatro grandes projetos, o aprofundamento da integração com Hengqin, a criação de um ambiente empresarial mais previsível, a atração de tecnologia e talento internacionais, a disponibilização de terrenos para atividades económicas e industriais e a promoção da renovação urbana.

Quatro projetos para diversificar a economia

Segundo o Chefe do Executivo, as estimativas preliminares apontam para um investimento total orçamentado de aproximadamente 130 mil milhões de patacas em grandes projetos relacionados com a diversificação económica durante o Terceiro Plano Quinquenal. A estratégia passa por concentrar recursos em quatro grandes projetos, procurando criar novos polos de educação, tecnologia, turismo cultural e logística.

Leia também: Sam Hou Fai pede que Hengqin seja tratada “como Macau”. O que muda na próxima fase da cooperação

O primeiro é a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin. A primeira fase deverá começar a funcionar em agosto de 2026, enquanto o campus da Universidade de Macau na Zona de Cooperação de Hengqin deverá iniciar operações experimentais em 2028 e estar plenamente operacional em 2029.

A construção dos campus da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Turismo de Macau deverá estar essencialmente concluída até 2030. O objetivo é transformar a educação superior, a investigação e o intercâmbio tecnológico num novo polo de atração de recursos internacionais.

O segundo projeto é o Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Macau, centrado em quatro áreas: tecnologia digital, biomedicina, circuitos integrados e tecnologia aeroespacial. O Governo pretende dar prioridade a setores como inteligência artificial, medicamentos inovadores, arquitetura de processadores baseada em RISC-V e serviços de dados aeroespaciais.

O plano prevê que o primeiro projeto de construção do parque esteja concluído e em funcionamento até 2030. Através do Centro Internacional da Indústria de Ciências e Tecnologias de Macau, o Governo pretende ainda atrair pelo menos 20 empresas tecnológicas para se instalarem inicialmente no local.

A terceira prioridade é a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, que deverá explorar a posição da cidade como ponto de encontro entre as culturas chinesa e ocidental. O projeto inclui o futuro Museu Nacional da Cultura de Macau, cujo primeiro pavilhão de exposição deverá estar essencialmente concluído em 2029, bem como o planeamento do Centro Internacional das Artes Performativas e do Museu Internacional de Arte Contemporânea.

O quarto projeto consiste na construção do terminal de mercadorias do Aeroporto Internacional de Macau em Hengqin. O terminal deverá iniciar operações experimentais no final de agosto de 2026 e entrar oficialmente em funcionamento no primeiro semestre de 2027, com uma capacidade final prevista de 300 mil toneladas de carga por ano.

Além destes projetos, o Governo pretende desenvolver o turismo internacional, a indústria de big health, o mercado obrigacionista e outras áreas das finanças com características próprias, a tecnologia de ponta, as convenções e exposições, o comércio, a cultura e o desporto.

Hengqin como extensão da diversificação

A integração com Hengqin surge como outro dos pilares da estratégia. Sam Hou Fai considera que o desenvolvimento da Zona de Cooperação constitui uma condição essencial para ultrapassar as dificuldades na diversificação da economia de Macau. O Governo pretende aprofundar a articulação das regras e mecanismos entre os dois territórios e facilitar a circulação transfronteiriça de pessoas, capitais, tecnologia e outros recursos.

A meta apresentada é que, até 2030, o valor acrescentado conjunto de seis setores na Zona de Cooperação – turismo e cultura, convenções e exposições e comércio, big health da Medicina Tradicional Chinesa, finanças com características próprias, investigação e desenvolvimento tecnológico e produção avançada – represente pelo menos 65% do PIB regional.

Entre as iniciativas previstas estão também o desenvolvimento de um modelo “Macau + Hengqin”, a cooperação em turismo e produção audiovisual, o comércio eletrónico transfronteiriço e a promoção dos produtos de Macau e dos Países de Língua Portuguesa no mercado do Interior da China.

Na área da Medicina Tradicional Chinesa, o Governo pretende promover um modelo de “registo em Macau, produção em Hengqin e venda no estrangeiro”, alargando posteriormente a estratégia aos medicamentos químicos, produtos biológicos e dispositivos médicos.

Na área financeira, Sam Hou Fai defende o aprofundamento da cooperação entre os dois territórios, incluindo a participação no projeto-piloto da conta de comércio livre multifuncional e a utilização do mecanismo de Parceria Limitada Estrangeira Qualificada (QFLP) para canalizar investimento para o mercado de fundos do Interior da China.

Renovação urbana como novo motor

A renovação urbana é apresentada como outro instrumento para melhorar as condições de vida e criar novos motores económicos. O Governo pretende desenvolver um conjunto de modelos assentes na liderança governamental e no funcionamento do mercado, adaptados às características de cada zona.

Entre as medidas previstas estão a criação de uma base de dados sobre os edifícios antigos, a elaboração de planos específicos para diferentes bairros e a revisão do regime jurídico da renovação urbana.

Sam Hou Fai defende também uma maior mobilização de recursos públicos, empresariais e sociais para financiar a renovação e propõe ajustar as funções da Macau Renovação Urbana, S.A., para que possa desempenhar um papel mais relevante como plataforma de intervenção.

A zona das Ruínas de São Paulo deverá ser alvo de estudos para uma renovação faseada e de caráter preservador. O Governo pretende ainda acelerar a reconstrução dos “Sete Conjuntos de Edifícios do Bairro Iao Hon”, do Edifício dos Funcionários Públicos de Tap Seac e das casas de habitação dos Correios do Mercado Vermelho, entre outros projetos. A intenção é combinar a melhoria do ambiente urbano com a revitalização económica e cultural dos bairros antigos.

Macau como plataforma internacional

No plano externo, Sam Hou Fai coloca a integração na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e a cooperação com Hong Kong entre as prioridades. O objetivo é reforçar a participação de Macau em projetos conjuntos nas áreas da ciência e tecnologia, economia, educação, cultura, desporto e justiça.

O Chefe do Executivo pretende igualmente ampliar a função de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa e estendê-la aos países de língua espanhola. A estratégia passa por apoiar empresas de Macau e do Interior da China na expansão para mercados externos e, simultaneamente, atrair investimento e empresas dos países lusófonos e hispanófonos.

A iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e o intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente são apresentados como outras áreas em que Macau poderá reforçar o seu papel internacional.

Para Sam Hou Fai, o Terceiro Plano Quinquenal representa, assim, uma oportunidade para Macau combinar as vantagens de “ter o apoio da pátria e estar interligado com o mundo” com uma economia mais diversificada e uma maior integração regional.

“Vamos avançar, de mãos dadas, de forma empenhada, abrir em conjunto o novo capítulo no desenvolvimento de Macau e Hengqin”, conclui o Chefe do Executivo.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website