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Mercado obrigacionista de Macau cresce, mas qual é o seu peso real no sistema financeiro local?

O mercado obrigacionista de Macau fechou 2024 com 633 títulos em circulação, avaliados em 567,9 mil milhões de patacas. O número cresce, mas a banca continua a dominar em depósitos e empréstimos

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No final de 2024, estavam em circulação em Macau 633 obrigações emitidas ou cotadas na região, avaliadas em 567,9 mil milhões de patacas (61 mil milhões de euros), mais 23.5% do que um ano antes, segundo o relatório da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) sobre as estatísticas das atividades financeiras modernas. No conjunto, tinham sido emitidas ou cotadas 740 obrigações, das quais 107 já tinham vencido.

A expansão continuou com novas emissões. Em julho de 2025, o Ministério das Finanças da China colocou 6 mil milhões de RMB (770 mil milhões de euros) em obrigações nacionais em Macau, destinadas a investidores profissionais. A operação foi dividida em títulos a dois, cinco e dez anos, com taxas de juro de 1.43%, 1.55% e 1.72%, respetivamente, e registou uma procura superior à oferta, segundo a AMCM e o Governo da RAEM.

Com essa emissão, o valor acumulado das obrigações nacionais emitidas pelo Ministério das Finanças em Macau chegou a 21 mil milhões de RMB. Tratou-se da quarta emissão anual consecutiva, de acordo com a AMCM.

O mercado passou também a incluir outros emissores. Em janeiro de 2026, a sucursal de Hong Kong do Banco de Desenvolvimento da China emitiu 5,5 mil milhões de RMB em obrigações de política pública em Macau, na primeira operação deste tipo realizada pela instituição na região. Em junho, o Novo Banco de Desenvolvimento realizou a sua primeira emissão em Macau, através de uma colocação privada de 50 milhões de dólares (43,2 milhões de euros), segundo a AMCM.

Leia também: China emite 6 mil milhões de RMB em obrigações em Macau. O que está em jogo para o mercado financeiro local

A dívida dos governos locais chineses também ganhou espaço. Em agosto de 2026, Guangdong realizou uma emissão de 2,5 mil milhões de RMB em Macau, a sexta consecutiva desde 2021. A operação incluiu obrigações verdes, azuis e títulos temáticos relacionados com a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, segundo o Governo da RAEM.

O valor de 567,9 mil milhões de patacas corresponde ao conjunto das obrigações em circulação que foram emitidas ou cotadas em Macau. O mercado inclui emissores e investidores de fora da região, e a ligação entre o sistema central de depósito de títulos de Macau (CSD) e o sistema de liquidação de instrumentos de dívida de Hong Kong (CMU) é um dos mecanismos utilizados para facilitar a participação de investidores internacionais, segundo a AMCM.

No final de 2025, as operações realizadas através da ligação entre o CSD e o CMU tinham atingido o equivalente a 10 mil milhões de patacas, abrangendo mais de 140 transações nos mercados primário e secundário. Cerca de metade das subscrições das obrigações de governos central e locais emitidas em Macau em 2025 foi realizada através de membros do CMU, incluindo fundos de cobertura e gestores de ativos, de acordo com a AMCM.

A dimensão do mercado obrigacionista deve, contudo, ser comparada com a restante estrutura financeira da região. No final de 2025, os depósitos totais do setor bancário de Macau ascendiam a 1,392 biliões de patacas e os empréstimos totais a 1,015 biliões, segundo as estatísticas da AMCM. Os valores não são diretamente comparáveis com o volume de obrigações em circulação, por medirem componentes diferentes do sistema financeiro.

A infraestrutura do mercado continua também a ser desenvolvida. Em 2026, a AMCM passou a permitir que os bancos locais utilizem obrigações elegíveis sob custódia através da ligação com o CSD para operações de recompra destinadas à obtenção de liquidez. A medida integra os instrumentos de financiamento em RMB e de gestão de liquidez disponibilizados pela autoridade monetária, de acordo com a AMCM.

Os dados disponíveis mostram um mercado obrigacionista com mais emissores, instrumentos e ligações de infraestrutura. A banca, porém, mantém uma escala superior em depósitos e empréstimos, enquanto o mercado de obrigações representa uma componente distinta da estrutura financeira de Macau, com uma participação crescente de emissores e investidores externos.

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