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Irão mantém Estreito de Ormuz fechado e exige concessões aos EUA. O que falta para reabrir a principal rota energética

O Irão mantém o Estreito de Ormuz efetivamente fechado e exige várias concessões dos Estados Unidos para permitir a reabertura. Enquanto Teerão endurece a posição, Trump aposta que a pressão económica acabará por produzir resultados

AFP

A Guarda Revolucionária do Irão insistiu este domingo (9) que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto os Estados Unidos não cumprirem uma lista de exigências, incluindo o pagamento de indemnizações pelos danos causados pela guerra.

O bloqueio efetivo do principal corredor energético por parte do Irão abalou os aliados, agitou os mercados e fez subir os preços. Ainda assim, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou este domingo que estava a adotar uma abordagem de baixa intensidade em relação a Teerão, sugerindo acreditar que poderia esperar até que as dificuldades económicas obrigassem o Irão a ceder.

Teerão insiste em manter o controlo de Ormuz depois da guerra e pretende cobrar taxas pela passagem, tendo atacado repetidamente navios que acusa de tentar contornar a rota que considera preferencial.

Os ataques no estreito, que antes da guerra era de livre trânsito, levaram ao colapso de um cessar-fogo acordado em abril. Os mediadores têm apelado a ambas as partes para que regressem aos termos de um memorando posterior, assinado em junho, que estabeleceu um caminho para negociações de paz.

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O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão apresentou no sábado uma lista de condições para a reabertura do estreito, incluindo o fim da guerra em todas as frentes, o levantamento do contra-bloqueio norte-americano aos portos iranianos, o fim das sanções, a libertação de ativos congelados e o pagamento de indemnizações pelos danos causados durante a guerra, informou a agência de notícias Tasnim.

Estas condições retomam os termos do acordo de junho, que incluía uma disposição para a criação de um fundo de reconstrução do Irão no valor de 300 mil milhões de dólares (cerca de 230 mil milhões de euros).

A Guarda Revolucionária do Irão afirmou este domingo que a sua estratégia consiste em manter o bloqueio “até que o inimigo aceite todas as nossas condições”, acrescentando que “o estreito é agora, na prática, um teatro de guerra para nós e não apenas uma via marítima”.

O encerramento de Ormuz fez subir os preços para os consumidores norte-americanos, criando uma dor de cabeça política para Trump à medida que se aproximam as eleições intercalares de novembro. Ainda assim, o Presidente mostrou-se otimista numa conversa com a Axios no domingo.

Esta captura de ecrã, retirada de imagens de vídeo divulgadas a 9 de agosto de 2026 pelo Centro de Comunicação do Ansarullah, mostra um drone a ser lançado na direção do que as autoridades houthis afirmaram serem concentrações de tropas sauditas e depósitos de armas no porto de Mokha, no oeste do Iémen. (Foto: AFP)

“Estamos a agir com pouca intensidade”, afirmou Trump numa entrevista, referindo-se à sua abordagem. “Estamos apenas a negociar parcialmente com eles”, terá dito. “Estamos simplesmente a observar o Irão, com a sua enorme inflação e o facto de não ter dinheiro.” “Vai resolver-se”, acrescentou. “É como uma partida de xadrez.”

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, tinha afirmado anteriormente, este domingo, que Teerão estava apenas a “trocar mensagens” com os Estados Unidos através de intermediários.

Ataques em Ormuz

O tráfego através de Ormuz diminuiu significativamente devido aos ataques em curso, tendo pelo menos um petroleiro sido atingido no sábado, segundo os Emirados Árabes Unidos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Omã condenou os ataques repetidos, sem identificar o Irão.

O memorando de junho estabelecia que Teerão e Mascate discutiriam futuras modalidades de administração do estreito com outros países do Golfo e “em conformidade com o direito internacional aplicável”, que, de um modo geral, proíbe a cobrança de taxas nestas vias marítimas.

Omã afirmou que “as negociações relativas às modalidades de navegação no Estreito de Ormuz estão a decorrer” e alertou contra quaisquer ações que possam pôr em causa os progressos alcançados. Araghchi afirmou que as discussões com Omã sobre a gestão do estreito estavam “a aproximar-se das fases finais”.

Ataques dos Houthis

Enquanto o Irão restringe o tráfego em Ormuz, os seus aliados houthis, no Iémen, anunciaram um bloqueio marítimo paralelo aos portos sauditas no Mar Vermelho, a única outra rota marítima do país exportador de petróleo.

Os Houthis anunciaram este domingo ter atingido uma instalação petrolífera saudita na costa do Mar Vermelho, depois de o reino do Golfo ter informado que tinha extinguido um incêndio no local.

A Arábia Saudita apoia há muito tempo o Governo do Iémen reconhecido internacionalmente na guerra contra os Houthis, que tinha sido suspensa por um acordo apoiado pelas Nações Unidas em 2022. Esse entendimento parece ter colapsado desde que os rebeldes anunciaram o bloqueio no mês passado.

Uma fonte médica em Mokha, cidade controlada pelo Governo iemenita, afirmou que três civis e oito militares morreram e outras 32 pessoas ficaram feridas este domingo. Todas as vítimas civis resultaram de ataques dos Houthis contra o porto da cidade iemenita.

O porta-voz militar dos Houthis, Yahya Saree, afirmou que o grupo tinha como alvo tropas e equipamento do “inimigo saudita” na zona, utilizando mísseis e drones.

Pacto de defesa

A guerra no Médio Oriente representa um desafio sem precedentes para a reputação de estabilidade e segurança que a Arábia Saudita procurou construir, bem como para os seus ambiciosos planos de diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.

Na sexta-feira, o reino assinou um acordo de defesa conjunta com a Turquia e o Paquistão, que inclui uma cláusula ao estilo da NATO segundo a qual um ataque contra um dos países será considerado um ataque contra todos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco afirmou no sábado esperar que o Egito também adira ao pacto, classificando o país como um “parceiro natural em todas as questões”.

“Já agimos uns em relação aos outros como se fôssemos membros de uma aliança”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Hakan Fidan, numa entrevista.

Fidan afirmou que o acordo não tem como alvo nenhum país específico. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão declarou na sexta-feira que o pacto se destina a “reforçar a dissuasão coletiva”.

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