As relações entre Argentina e Brasil atravessam uma das fases de maior tensão das últimas décadas depois de Javier Milei ter voltado a insultar Luiz Inácio Lula da Silva. Em resposta, o Governo brasileiro decidiu rebaixar o nível da representação diplomática em Buenos Aires, mantendo a embaixada sob liderança de um encarregado de negócios.
A crise agravou-se no final de julho, quando Milei, durante um evento do partido de Jair Bolsonaro em São Paulo, chamou Lula de “ladrão” e “presidiário”. O Presidente argentino também atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a quem chamou de “lixo careca”.
O Itamaraty considerou as declarações uma afronta ao Presidente brasileiro e às instituições do país e convocou inicialmente o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas.
Leia mais: Argentina fecha urnas e inicia apuração de votos em eleição legislativa crucial para Milei
A tensão aumentou depois de novas declarações de Milei contra Lula. O Governo brasileiro decidiu que Bitelli não regressará, para já, à Argentina e que a representação diplomática em Buenos Aires passará a ser chefiada por um encarregado de negócios.
A medida reduz o nível de interlocução política entre os dois países, embora as relações diplomáticas não tenham sido formalmente rompidas. As atividades consulares e os canais institucionais continuam em funcionamento.
Do lado argentino, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Pablo Quirno, lamentou a decisão brasileira e classificou-a como uma medida unilateral. O Governo de Milei indicou que não pretende, para já, adotar uma resposta diplomática equivalente.