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O sistema THAAD pode comprometer a estabilidade na Península Coreana

Os observadores internacionais ficaram surpreendidos ao ver a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) a celebrar o seu Dia das Forças Armadas, em 25 de abril, sem qualquer ato de provocação como o lançamento de um míssil. Porém, a tranquilidade na Península Coreana foi de curta duração, pois a RPDC terá alegadamente testado o lançamento de um míssil balístico quatro dias mais tarde.

Embora o míssil tenha explodido pouco depois do lançamento, o ato constituiu mesmo assim uma violação flagrante das resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que proíbe Pyongyang de efetuar este tipo de ações provocadoras. Uma vez que a RPDC tem recorrido repetidamente a atos de provocação e contestado a comunidade internacional no seu apelo a que ponha um fim aos seus ambiciosos programas nucleares e de mísseis, a sua mais recente jogada merece ser condenada pela comunidade internacional com toda a veemência.
Contudo, as tensões na Península Coreana continuam a crescer, e as partes rivais ameaçam-se mutuamente com uma retórica bélica, sendo necessário ponderar sobre a forma como a situação piorou tão rapidamente e o porquê de se ter emaranhado num nó tão complicado que é atualmente difícil de desfazer.
São precisos dois para haver uma disputa. Este facto aplica-se perfeitamente à situação da península. E, nos últimos anos, temos visto os lados rivais a cair num circulo vicioso de provocação e retaliação.
Os Estados Unidos, apesar de afirmarem ter perdido a sua “paciência estratégica”, têm demonstrado um comedimento geral, reduzindo os seus apelos para intentar uma ação militar contra Pyongyang. O país também aumentou os esforços em comunicar e cooperar com a China para neutralizar a situação, mostrando uma melhor compreensão sobre como restaurar a paz e estabilidade na península.
Contudo, no dia 26 de abril, a Força Aérea dos Estados Unidos fez um teste com um míssil balístico intercontinental desarmado, tendo, alegadamente, por inimigo imaginário, a RPDC. O país enviou também o porta-aviões USS Carl Vinson em direção à Península Coreana.
Deitando achas à fogueira, Washington e Seul também aceleraram o processo de instalação de um sistema de defesa míssil norte-americano na República da Coreia, apesar de uma forte oposição por parte dos cidadãos chineses e sul-coreanos. Teoricamente, o sistema antimísseis norte-americano Terminal High Altitude Area Defense (THAAD) tem por objetivo proteger a República da Coreia de ataques mísseis da RPDC, mas a sua capacidade de vigilância também irá forçosamente prejudicar os interesses de segurança de outros países, incluindo a China.
Um número cada vez maior de pessoas na República da Coreia acredita que o THAAD apenas irá tornar o seu país inseguro, e têm realizado enormes protestos contra a sua instalação. Cheong Wooksik, diretor da Peace Network, sediada na República da Coreia, publicou recentemente um livro, intitulado “Everything about THAAD” (“Tudo sobre o THAAD”), no qual afirma que o seu país poderá ser a maior vítima da instalação do THAAD.
No que diz respeito a Pyongyang, o Governo tem interpretado estas manobras militares como provocações e ameaças à sua segurança. E uma vez que a RPDC respondeu a tais ameaças com uma ameaça ainda maior, o lançamento mal sucedido de um míssil não foi uma surpresa.
As autoridades em Seul afirmaram que os Estados Unidos reiteraram que iriam suportar o custo de instalação do THAAD em solo sul-coreano. Isto depois de, alguns dias antes, o presidente norte-americano Donald Trump ter declarado que Seul deve pagar mil milhões de dólares pelo sistema antimísseis.
Os analistas dizem que o lançamento do míssil de Pyongyang poderá ter levado os Estados Unidos a mudar de posição relativamente ao custo, abrindo caminho para a conclusão da instalação do THAAD entre julho e setembro, muito mais cedo do que o plano original apontando para o final do ano.
Com as eleições presidenciais da República da Coreia ao virar da esquina, os Estados Unidos poderão querer fazer da instalação do THAAD um facto estabelecido, de forma a que quem quer que ganhe as eleições tenha pouca margem para adiar a instalação, e muito menos cancelá-la.
Estes cálculos políticos são perigosos porque podem complicar ainda mais a situação já complexa e volátil na península, e, assim que a situação ficar fora de controlo, nenhum interveniente poderá sair vencedor.

‮‬Wang Hui

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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