ZAMBÉZIA CONTINUA DEBAIXO DE ÁGUA - Plataforma Media

ZAMBÉZIA CONTINUA DEBAIXO DE ÁGUA

 

As enxurradas em Moçambique já causaram 117 mortos e milhares de desalojados. O centro do país é a zona mais afetada.

 

Cento e dezassete pessoas morreram durante as últimas semanas em resultado das cheias que assolam as províncias do norte e centro de Moçambique, informou o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

Em declarações ao Plataforma Macau em Maputo, o responsável do Gabinete de Comunicação e Imagem do INGC, Elias Massicame, disse que até à última segunda-feira cerca de 150 mil pessoas foram afetadas pelas cheias nas províncias do centro e norte do país e mais de 19 mil casas ficaram totalmente destruídas devido às enxurradas naquelas regiões de Moçambique.

“A maior parte das pessoas afetadas está na província da Zambézia”, segunda maior província   do país e a mais afetada pelas calamidades, onde 70% dos distritos foram isolados devido às enxurradas, disse Elias Massicame.

De acordo com o responsável do Gabinete de Comunicação e Imagem do INGC, o número de óbitos registado pelo órgão subiu significativamente em relação à semana anterior, passando de 84 para os atuais 117, devido ao facto da maior parte das pessoas desaparecidas terem sido dadas como mortas.

“Houve essa subida porque algumas pessoas que estavam desaparecidas foram dadas como mortas. E, talvez, este número actual suba, porque temos ainda 52 pessoas desaparecidas, pelo menos as registadas”, afirmou.

Além de destruir várias infraestruturas, nomeadamente casas, escolas e hospitais, as chuvas destruíram a ponte sobre o rio Licungo, tornando intransitável a Estrada Nacional Número 1, que liga o sul e o centro ao norte de Moçambique.

“Nós criámos agora 44 centros de acomodação temporária. E 33 desses centros estão na província da Zambézia, onde temos os casos mais graves. As famílias afetadas estão a ser reassentadas, mas ainda é um processo. Temos 2650 talhões para as pessoas em áreas livres”, assegurou Elias Massicame.

 

“APAGÃO” NO CENTRO

 

Devido ao transbordo do rio Licungo, várias torres elétricas foram destruídas nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, no norte de Moçambique, pelo que mais de 350 mil habitantes ficaram sem corrente elétrica naquelas regiões do país.

De acordo com o responsável do Gabinete de Comunicação e Imagem do INGC, já decorrem as operações para restabelecimento da corrente elétrica nas zonas afetadas.

“Em termos da eletricidade, podemos a avançar que estamos a trabalhar. Temos neste momento à disposição um helicóptero alocado pelo Governo para ajudar no transporte de material, já que a via terrestre está condicionada e nós não temos tratores próprios”, disse Elias Massicane, lembrando que “a missão, definida pelo Conselho Coordenador da Gestão de Calamidades, é de restituir a corrente até o dia 30 do mês em curso”. As operações de resgate e de assistência à população decorrem com o apoio de 70 militares da força aérea sul-africana.

O Governo canadiano irá doar em breve cerca de um milhão de dólares para o apoio às vítimas das cheias de Moçambique e do Maláui, país vizinho, onde as cheias já provocaram a morte de 170 pessoas.

O Governo moçambicano aprovou em 2014 um plano de contingência que prevê 26 milhões de dólares para enfrentar o período chuvoso no país, que decorre entre outubro e abril.

E, recentemente, no novo Governo, o Conselho de Ministros anunciou um acréscimo de cerca de 5.6 milhões de dólares para assistência das vítimas naquelas regiões de Moçambique.

 

Estêvão Azarias Chavisso, em Maputo    

 

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