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Produção de carne bovina cai 22% em Moçambique. Que impacto tiveram as cheias no setor pecuário

A produção de carne bovina recuou acentuadamente no primeiro trimestre, afetada pelas cheias e pelas restrições ao movimento de animais. Os números expõem os efeitos duradouros dos desastres climáticos sobre a produção alimentar e os meios de subsistência rurais

Lusa

A produção de carne bovina em Moçambique recuou 22% no primeiro trimestre, face ao mesmo período de 2025, para 3.611 toneladas, devido às consequências das cheias que afetaram o país em janeiro e fevereiro, segundo dados oficiais.

Globalmente, a produção de carne no país cresceu 5%, para 34.716 toneladas neste período, mas representando apenas 16% do total previsto para todo o ano, de acordo com dados de um relatório de execução do Governo, a que a Lusa teve hoje (10) acesso.

Apesar deste crescimento global, influenciado pela carne de frango, que aumentou 9% nos primeiros três meses, para 29.023 toneladas, a produção de carne bovina foi severamente afetada, recuando 22% em termos homólogos.

“Devido à influência negativa das cheias e inundações que tornaram intransitáveis as vias de acesso das zonas de criação para os principais centros de abate e comercialização de carnes (principalmente para a Cidade e Província de Maputo e Gaza, maiores produtores)”, lê-se no documento.

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Acrescenta que “a restrição do movimento de animais devido a surtos de doenças” foi “outro fator negativo” que condicionou o setor nos primeiros três meses do ano.

Os criadores de gado moçambicanos pediram em fevereiro um programa de repovoamento animal, a impulsionar pelo Governo, após perderem centenas de cabeças de gado devido às inundações de janeiro, alertando para o risco de fome. Moçambique contava no final de março com um efetivo de 2.583.034 bovinos e 21.272.264 galinhas, o que corresponde a um crescimento de 5% e 7%, respetivamente, face a 2025, segundo o mesmo relatório.

O Governo moçambicano desativou na terça-feira o alerta vermelho, que vigorava desde 16 de janeiro, decretado então devido às cheias generalizadas que então provocaram pelo menos 43 mortos, mas mantendo o alerta laranja.

“O Conselho de Ministros desativou o alerta vermelho, mas mantém o alerta laranja por um período de dois meses, para fazermos esta monitoria da assistência humanitária e estabilizar as áreas afetadas”, anunciou, no final da reunião semanal daquele órgão, em Maputo, o porta-voz, Ussene Isse.

“A emergência é muito importante desativar, mas, por outro lado, estar atento, porque ainda há ajuda humanitária, a estabilização das áreas afetadas, principalmente nas províncias de Maputo e Gaza e outras regiões do país que precisamos de estar muito atentos”, apontou o porta-voz da reunião.

A última época das chuvas em Moçambique matou 314 pessoas, afetou mais de 1,078 milhões de pessoas e atingiu quase 260 mil casas, segundo atualização feita na terça-feira pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

O balanço envolve a época das chuvas, que habitualmente decorre de outubro a abril, e corresponde a 249.053 famílias afetadas neste período em todo o país. Há também registo de 19 pessoas ainda desaparecidas e 361 feridos. Nesta época das chuvas, 211.655 casas foram inundadas, 15.616 casas foram totalmente destruídas e 31.081 parcialmente destruídas.

Só as cheias de janeiro, as mais violentas em vários anos, provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.716 pessoas. Já a passagem do ciclone Gezani na província de Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.

Os dados do INGD indicam ainda que 320.464 hectares de áreas agrícolas foram perdidos neste período, afetando 373.262 agricultores, e 532.985 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves. Foram ainda afetados nesta época das chuvas 9.735 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.

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