O presidente da Câmara Municipal de Chacao, município a este de Caracas, sublinhou na terça-feira (9) à Lusa o contributo dos portugueses no desenvolvimento local e o carinho especial que os venezuelanos têm pela comunidade.
“Uma das comunidades mais importantes de Chacao é a portuguesa. Junto com a italiana e a espanhola, criaram este município. Os comércios mais importantes deste município, o desenvolvimento do Centro Histórico de Chacao, e [da zona] de Los Palos Grandes devem-se às comunidades estrangeiras, especialmente à portuguesa”, disse Gustavo Duque.
O responsável falava à agência Lusa à margem de uma cerimónia que marcou o início das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, da qual fez parte o içar das bandeiras de Portugal e da Venezuela, a apresentação de grupos folclóricos de ambos os países e uma degustação de vinho e pasteis de nata.
“Por eles temos um carinho muito especial”, frisou o autarca que enviou também uma mensagem convidando os luso-venezuelanos que emigraram a regressar e visitar aquele município.
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“Às vezes as notícias que chegam lá fora falam de um país [Venezuela] que está muito mal, mas, no fim de contas, é o povo quem faz o país. E devo dizer-vos que, em Chacao, vê-se uma realidade muito importante, dinâmica, com pessoas muito trabalhadoras, e que somos a tocha que se está a acender para mostrar como o país pode ser”, disse.
Duque sublinhou que a Venezuela “não vai parar” e que está “todos os dias a trabalhar arduamente”, e que espera de braços estendidos quem partiu, porque o país é também a pátria dessas pessoas. Por outro lado, Gustavo Duque disse que “quando se fala de Portugal, também se fala da Venezuela” e que a maioria da população de Chacao “cresceu a conviver de perto com o que significa ser português, com os seus costumes”.
“Este município foi construído por estrangeiros. A comunidade portuguesa de Chacao é uma das mais importantes, uma das que mais contribuiu para que este município seja sempre uma referência. São pessoas de bem, trabalhadoras, que sempre vieram para ajudar e contribuir. Não é preciso dizer-vos que estão em casa, porque foram vocês que construíram esta casa. Não é preciso dizer-vos para se sentirem em casa, porque vocês são e sempre foram a casa”, frisou.
Por outro lado, durante a intervenção, o novo embaixador de Portugal na Venezuela, Manuel Frederico Pinheiro da Silva, sublinhou os laços que unem os dois países. Recordou a longa história de Portugal e disse que portugueses como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, e Fernando Magalhães “definiram os limites e contornos do mundo tal como hoje é conhecido”.
“Portugal e os portugueses foram os autores, os criadores, nos séculos XV e XVI, da primeira globalização planetária, na história da Humanidade, unindo por mares todos os continentes”, disse, notando que Luís Vaz de Camões imortalizou a epopeia lusitana em “Os Lusíadas”.
O diplomata disse ainda que “Portugal é um país moderno, democrático, com alto nível de desenvolvimento humano, comprometido com a paz e a estabilidade internacional, com o estado de Direito e os Direitos Humanos, com o diálogo e a negociação como ferramenta universal para confrontar os grandes reptos existenciais da humanidade”.
“Uma nação como Portugal não se confina ao seu território delimitado pelas fronteiras políticas (…) é sobretudo a sua gente. A portugalidade inclui, sem reservas, todos os portugueses e lusodescendentes que vivem, trabalham e constroem em quase todos os países do planeta”, continuou.
O embaixador referiu que é possível encontrar portugueses em quase todas as regiões da Venezuela e sublinhou sentir-se orgulhoso ao ver a bandeira de Portugal ser hasteada. “Porque esta bandeira não é só um símbolo nacional, é o estandarte de milhares e milhares de portugueses, que continuam a contribuir para o engrandecimento da Venezuela”, disse.