A líder do principal partido da oposição em Taiwan apelou aos EUA e à China para não tratarem a ilha como um “peão”, após Donald Trump sugerir que as vendas de armas a Taipé poderiam ser usadas como moeda de troca nas negociações com Pequim.
“Taiwan nunca poderá tornar-se ou ser reduzida a um peão negociado à mesa pelas grandes potências”, afirmou Cheng Li-wun, presidente do Kuomintang (KMT), em entrevista ao Financial Times, antes de uma visita a Washington para reuniões com responsáveis e legisladores norte-americanos.
As declarações surgem semanas depois da cimeira entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, durante a qual o chefe de Estado norte-americano descreveu as vendas de armas a Taiwan como uma “boa ficha de negociação” com a China.
Cheng, que assumiu a liderança do KMT em novembro, encontra-se nos Estados Unidos durante duas semanas numa tentativa de reforçar o apoio de Washington ao partido. Questionada sobre a principal mensagem que pretende transmitir em Washington, Cheng respondeu: “Paz”.
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A dirigente defendeu a retoma do diálogo entre Taipé e Pequim, argumentando que a ausência de contactos oficiais na última década contribuiu para o agravamento das tensões entre os dois lados do estreito de Taiwan. “Não houve diálogo, por isso é possível ver que a situação está quase à beira da guerra”, afirmou, acrescentando que muitos habitantes da ilha receiam que Taiwan se transforme na “próxima Ucrânia”.
Cheng considerou que o papel dos Estados Unidos na preservação da estabilidade regional é “indispensável” e manifestou a esperança de que Washington assuma uma função ainda mais ativa na promoção da paz no leste asiático e no estreito de Taiwan.
Em abril, a líder do KMT tornou-se a primeira dirigente do partido a visitar a China e a reunir-se com Xi Jinping em dez anos.
A aproximação a Pequim tem suscitado críticas em Washington, onde alguns responsáveis receiam que o reforço dos contactos possa enfraquecer a capacidade de dissuasão de Taiwan face à crescente pressão militar chinesa. Cheng rejeitou essa interpretação, sustentando que a melhoria das relações através do estreito não implica abandonar a defesa da ilha.
“Melhorar as relações entre os dois lados do estreito não significa que Taiwan vá desistir da sua própria capacidade de dissuasão”, afirmou.
A dirigente procurou também responder às críticas de legisladores norte-americanos sobre a decisão da oposição de reduzir de 40 para 25 mil milhões de dólares (35 para 21,6 mil milhões de euros) o orçamento extraordinário de defesa proposto pelas autoridades lideradas por William Lai.
O KMT não se opõe ao financiamento de veículos aéreos não tripulados (“drones”) ou à modernização militar, atribuindo a controvérsia a disputas políticas internas, segundo Cheng,.
Questionada sobre Xi Jinping, a líder do KMT afirmou que o dirigente chinês demonstrou “enorme boa vontade” durante o encontro de abril, o que interpretou como um sinal de que Pequim pretende procurar uma solução pacífica para a questão de Taiwan.