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Venezuela pede a Portugal para servir de ponte com a União Europeia. O que espera Caracas desta nova fase

O Governo venezuelano apelou a Portugal para desempenhar um papel de ligação entre Caracas e a União Europeia. O pedido surge num momento em que as autoridades dizem estar a avançar para uma nova fase de diálogo interno e abertura ao exterior

Lusa

O Governo venezuelano disse que o país entrou numa nova fase de reconstrução e convivência entre venezuelanos, cinco meses após a captura do Presidente Nicolás Maduro, e apelou a Portugal para ser ponte entre Caracas e União Europeia.

“Hoje, quando a Venezuela inicia uma nova fase de diálogo e reconstrução, há quem diga que estamos a avançar muito devagar, outros dizem que estamos a avançar muito depressa, mas estamos, sem dúvida, a caminhar para um horizonte diferente, marcado pela convivência entre os venezuelanos”, disse o vice-ministro de Relações Exteriores para a Europa e América do Norte.

Oliver Blanco falava em Caracas, durante a receção oficial do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreu na noite de quinta-feira e reuniu mais de 400 convidados na residência do embaixador de Portugal, Frederico Silva.

O vice-ministro explicou quem desde o ponto de vista venezuelano, Portugal “está chamado a desempenhar um papel muito especial como ponte entre a Venezuela, a União Europeia, o espaço lusófono – incluindo África – e outros recantos do mundo, onde o português é uma língua de encontro”.

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“Olhamos para Portugal com um interesse estratégico renovado. Vemos um país inovador em setores como as energias renováveis, as tecnologias da informação, a logística portuária, o turismo e a economia do conhecimento, e estamos convencidos de que podemos construir juntos projetos ambiciosos nestes e noutros domínios”, disse.

Oliver Blanco frisou ainda que a Venezuela aspira a que as relações bilaterais “evoluam no sentido de um maior intercâmbio económico e financeiro, de novos investimentos que gerem emprego e bem-estar, de um fluxo crescente de visitantes e turistas em ambos os sentidos e de uma cooperação mais intensa nas áreas da educação, da ciência e da cultura”.

Durante a intervenção, o vice-ministro explicou ainda que “para a Venezuela, Portugal é muito mais do que um sócio europeu”.

“[Portugal] faz parte da memória afetiva e do quotidiano do nosso país. Ao longo de décadas, milhares de portugueses e luso-venezuelanos deixaram uma marca indelével no comércio, na gastronomia, no campo, nos serviços e no tecido social das nossas cidades e vilas”, disse.

“Estiveram presentes nos momentos de esforço e também nos de esperança, contribuindo com trabalho, disciplina e confiança no futuro. Essa presença discreta, mas decisiva, contribuiu para o progresso material e para o pluralismo da sociedade venezuelana”, acrescentou ainda.

Oliver Blanco explicou ainda que visitou recentemente a Europa e que foi recebido em Lisboa pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, de quem destacou a qualidade pessoal, hospitalidade e disposição para o diálogo.

Esse encontro, disse, “confirmou que Portugal vê na Venezuela um país com o qual é possível trabalhar com franqueza, construir confiança e definir uma agenda comum em benefício mútuo”. “Vamos continuar a dar passos nessa direção”, frisou.

Pouco antes, também durante a receção oficial, o embaixador português em Caracas explicou que Portugal “se orgulha de ser um país democrático, com um elevado nível de desenvolvimento humano”, que acredita “que a dignidade do ser humano é indissociável do primado do Estado de Direito e do respeito pelas liberdades sociais e políticas”.

“Nesta nova fase que a Venezuela atravessa, gostaria de reiterar que Portugal olha para o seu país e para o seu povo com especial afeto e proximidade. E é por isso que acompanhamos com satisfação o rumo atual das reformas e dos esforços empreendidos pelo seu Governo no sentido de uma reconciliação nacional efetiva”, disse, dirigindo-se ao vice-ministro venezuelano.

“Acompanhamos igualmente os esforços para uma transição política e democrática, sustentada num diálogo inclusivo aberto a todos os venezuelanos, com vista à realização de eleições livres e justas”,  concluiu.

Ainda segundo o diplomata, Portugal mantém também total disponibilidade para reforçar as relações bilaterais com a Venezuela, nas esferas política, económica, empresarial, social, educativa e cultural.

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