O novo campus pretende “cruzar saberes, promover projetos colaborativos e potenciar o talento dos investigadores”, através de uma estrutura que permitirá a criação de programas de licenciatura, mestrado e doutoramento com diplomas duplos reconhecidos em Portugal e em Macau.
Em declarações ao portal SAPO, o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, sublinha que a iniciativa responde a uma lógica de internacionalização do ensino superior num contexto global marcado pelo reforço das ligações entre a Europa e a Ásia.
“Quem trabalhar à escala global não pode ignorar o crescimento dos países asiáticos”, afirma, defendendo que a cooperação com Macau e com a China representa um eixo estratégico para o futuro da instituição.
Formação conjunta e mobilidade académica
Entre os objetivos centrais do campus estão a facilitação da mobilidade de estudantes, docentes e investigadores, bem como a criação de oferta pedagógica conjunta e projetos de investigação partilhados entre as duas instituições.
O projeto prevê ainda o desenvolvimento de incubadoras, laboratórios conjuntos e polos de inovação ligados a áreas como engenharia, saúde, tecnologias digitais, ciências da linguagem e negócios.
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Segundo Amílcar Falcão, a cooperação terá impacto direto na empregabilidade dos estudantes, ao permitir também a ligação entre investigação científica e desenvolvimento de produtos e serviços com potencial de mercado.
Laboratórios já em funcionamento e novas áreas de investigação
A Universidade de Coimbra e a Universidade Politécnica de Macau já têm em curso três laboratórios conjuntos, dedicados a áreas como cidades inteligentes, inteligência artificial aplicada à saúde e humanidades digitais.
Estão igualmente previstos novos projetos de investigação no âmbito do campus agora anunciado, reforçando a ligação científica entre as duas instituições.
“Cada um destes laboratórios envolve equipas de investigadores de ambas as universidades com trabalho já em desenvolvimento ou prestes a arrancar”, explica o reitor da UC.
Assinatura em dia simbólico para Portugal e Macau
O acordo de criação do campus será assinado em Macau no dia 10 de junho, data em que se celebra o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, sublinhando o simbolismo da cooperação académica entre os dois territórios.
A cerimónia contará com a presença de responsáveis das duas universidades, bem como do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e do chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, Sam Hou Fai.
Para Amílcar Falcão, o projeto reforça uma relação histórica entre Portugal e a China, assente em “confiança construída ao longo de séculos”, e representa uma aposta clara na internacionalização do ensino superior português.
“A investigação é estrutural para um ensino de qualidade e para a partilha de conhecimento. Esta parceria irá permitir abrir novos horizontes e potenciar o talento dos nossos investigadores”, conclui.