Em fevereiro, a Caritas Macau lançou uma campanha de angariação de fundos, que decorreu durante três meses, para ajudar as vítimas da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta. Paul Pun disse que a organização enviou 10 mil euros para a Cáritas Espanha e outros 10 mil euros para a Cáritas Portugal, com quem a Caritas Macau tem há muito uma parceria, lembrou o secretário-geral.
A organização católica foi fundada em 1951, ainda durante a administração portuguesa de Macau. “O dinheiro que recolhemos não é muito, mas mesmo assim tentamos demonstrar a nossa preocupação e solidariedade”, disse Pun.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
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As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. O Governo anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Paul Pun visitou Portugal entre 14 e 17 de abril, numa deslocação que já tinha sido marcada antes das tempestades, mas que permitiu ao secretário-geral da Cáritas Macau ver “enormes danos causados às infraestruturas e às florestas”.
A passagem por Portugal permitiu também à Cáritas Portugal e à Caritas Macau assinar um acordo para renovar a parceria iniciada em 2019 em áreas como a ajuda humanitária e a resposta a emergências, revelou o dirigente. Mas o novo acordo acrescenta um outro ponto, a integração de pessoas em mobilidade, sublinhou Pun.
“Caso um português tenha problemas em Macau, podemos colaborar com ele. No caso de os residentes de Macau enfrentarem problemas em Portugal, eles ajudam-nos”, explicou o secretário-geral.
Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.
A Cáritas Portugal e a Cáritas Macau discutiram também como “unir recursos financeiros” para ajudar os mais desfavorecidos em outros países lusófonos, referiu Pun, que deu como exemplo as inundações que afetaram Moçambique.
“No futuro, estamos a planear escolher um país, a Guiné-Bissau ou São Tomé [e Príncipe], para uma visita conjunta, guiada pela Cáritas Portuguesa, para vermos como melhor podemos ajudar”, disse o dirigente.