Macau procura consolidar o seu papel como plataforma de ligação entre a China e os mercados lusófonos e hispânicos numa fase em que a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” entra numa etapa mais focada na qualidade dos projetos, no financiamento sustentável e na conectividade regional.
A estratégia voltou a ser sublinhada esta quarta-feira (10) pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, durante a abertura do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF).
Perante cerca de 50 convidados internacionais e representantes governamentais, Sam Hou Fai defendeu que Macau continuará a explorar a sua posição de “interlocutor de precisão” para aprofundar a cooperação económica e o investimento em infra-estruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa. A aposta enquadra-se na preparação do 3.º Plano Quinquenal da Região Administrativa Especial de Macau, articulado com o 15.º Plano Quinquenal nacional.
Ao longo dos últimos anos, as autoridades têm procurado afirmar Macau como plataforma de serviços para projetos ligados à iniciativa chinesa.
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O IIICF reuniu, desde a sua criação, mais de 30 mil participantes, incluindo cerca de 700 responsáveis ministeriais, e contribuiu para a assinatura de 250 acordos de cooperação, com um valor agregado superior a 120 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 104 mil milhões de euros), segundo dados apresentados pelo Chefe do Executivo.
Apesar destes números, permanece em aberto a capacidade de Macau transformar a sua relevância institucional em novos projetos de investimento concretos e em oportunidades económicas duradouras para a região. Nos últimos anos, a estratégia passou gradualmente da promoção de grandes obras de infra-estruturas para áreas como financiamento, articulação de regras, conectividade logística e cooperação empresarial.
Durante a intervenção, Sam Hou Fai afirmou que o Governo pretende aprofundar mecanismos de cooperação multilateral e bilateral, promovendo uma maior convergência de políticas, a interligação de infraestruturas, a cooperação económica e comercial, os intercâmbios culturais e a colaboração tecnológica. O objetivo, disse, passa também por diversificar as fontes de investimento e financiamento associadas aos projetos da “Uma Faixa, Uma Rota”.
O governante recordou ainda a visita realizada em abril a Portugal e Espanha, integrada numa missão empresarial destinada a promover empresas de Macau, da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e do Interior da China. A iniciativa procurou criar novas oportunidades de cooperação internacional para empresas ligadas ao setor das infraestruturas.
Uma das novidades da edição deste ano do fórum foi a inclusão de visitas de delegações estrangeiras à Zona de Cooperação em Hengqin. A medida pretende mostrar aos participantes internacionais as oportunidades resultantes da integração entre Macau e Hengqin, tanto ao nível das infraestruturas como da articulação regulatória, incentivando futuras parcerias e investimentos, segundo Sam Hou Fai.
Representantes da Indonésia, Peru e Timor-Leste defenderam igualmente a importância da conectividade como motor do crescimento económico e salientaram o potencial de Macau para funcionar como plataforma de aproximação entre diferentes mercados. Os responsáveis consideraram que o desenvolvimento de sistemas de transporte e de infraestruturas mais integrados poderá contribuir para reforçar a cooperação económica ao longo da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.
Estiveram presentes na cerimónia o diretor do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Zheng Xincong, a comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros na RAEM, Bian Lixin, o presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, e o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Tam Vai Man, entre outras individualidades.