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Bispos africanos exigem justiça pelo homicídio de Osório Citora. O que se sabe sobre o caso

O homicídio do bispo de Quelimane desencadeou apelos da Igreja Católica africana, do Vaticano e da União Europeia por uma investigação célere. As autoridades moçambicanas continuam sem identificar os responsáveis pelo crime

Lusa

O Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM) pediu reforço de proteção aos líderes religiosos no continente após o homicídio, no sábado, no norte de Moçambique, do bispo de Quelimane, Osório Citora, exigindo respostas das autoridades.

“Exigimos que todos os responsáveis, sejam eles autores diretos, cúmplices ou mentores, sejam identificados, processados e levados à justiça sem demora”, apelou o presidente do SCEAM, cardeal Fridolin Ambongo, numa nota do organismo a que a Lusa teve hoje acesso.

Crime ocorreu na residência do bispo

No sábado, a polícia de investigação criminal de Moçambique indicou que o bispo de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, no centro de Moçambique, Osório Citora Afonso, 54 anos, foi assassinado na madrugada do mesmo dia com um tiro no coração por pessoas ainda não identificadas, estando as autoridades a investigar o caso.

Os bispos africanos consideram o ato como “hediondo” e que constitui “um atentado aos valores fundamentais da paz e da justiça”, além de atentar contra a vida e a dignidade de um servo “devoto do evangelho”, pedindo às autoridades que reforcem a proteção e segurança aos líderes religiosos.

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 “Reforcem as medidas de proteção e segurança dos líderes religiosos, dos locais de culto e de todas as pessoas que se dedicam ao trabalho pastoral e humanitário”, acrescenta-se no documento, apelando-se para que o “trágico” acontecimento sirva também de “renovado apelo à justiça, paz, respeito pela vida humana” em Moçambique e no continente.

Papa Leão XIV manifesta pesar

Entretanto, uma nota da Santa Sé refere que o Papa Leão XIV expressou também a sua profunda dor pelo assassínio do bispo de Quelimane, apelando ao fim dos atos de violência em Moçambique.

“O Papa Leão XIV une-se em oração ao povo das dioceses e de Moçambique nesta hora de consternação, para que o Senhor lhes conceda consolação, guarde no Seu amor cada homem e cada mulher e trave a mão dos violentos”, refere-se num comunicado do Vaticano.

Investigação em curso

Em declarações aos jornalistas no mesmo dia do crime, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que o bispo foi morto na madrugada de sábado na sua residência com uma arma do tipo AK-M por homens que teriam escalado o muro da sua residência, tendo vandalizado a segurança elétrica e disparado contra o bispo.

O responsável disse que Osório foi alvejado na “parte do peito, no coração, provavelmente uma bala”, remetendo detalhes para outro momento.

Apelos internacionais e reação de Maputo

A União Europeia (UE) pediu no sábado uma investigação “minuciosa e transparente” ao assassínio de Osório Afonso, lamentando e mostrando-se profundamente chocada com a morte trágica e violenta no centro de Moçambique.

“Apelamos às autoridades para que conduzam uma investigação minuciosa e transparente, a fim de, sem demora, levar os responsáveis à justiça”, lê-se no comunicado conjunto dos chefes de Missão da União Europeia e seus Estados-membros, conforme noticiado pela Lusa.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou no sábado, em comunicado, profundo sentimento de pesar e consternação pela morte do bispo.

Na sua mensagem, o chefe de Estado refere que a morte do bispo Osório constitui uma perda irreparável para a sociedade moçambicana, em geral, e para a comunidade cristã, em particular, realçando o facto de ter-se destacado, em vida, pelo culto da humildade, dedicação pastoral e pregação dos valores da paz e reconciliação.

Percurso de Osório Citora Afonso

Membro do Instituto dos Missionários da Consolata, Osório Citora Afonso foi eleito bispo de Quelimane em 25 de julho de 2025, tendo, em abril deste ano, sido nomeado, pelo Papa Leão XIV, administrador interino da Arquidiocese da Beira, lembra-se na nota da Presidência.

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