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Assassínio do bispo de Quelimane gera condenação nacional. O que se sabe sobre um crime sem precedentes em Moçambique

O assassínio do bispo de Quelimane provocou reações da Igreja Católica, dos partidos políticos e do Presidente moçambicano. As autoridades prometeram esclarecer um crime que abalou uma das figuras religiosas mais influentes do país

Lusa

O partido moçambicano Frelimo condenou hoje (11) o assassinato do bispo de Quelimane, Osório Citora Afonso, e pediu às autoridades para investigarem e esclarecerem o caso.

“A Comissão Política repudia o ato hediondo que culminou com o assassinato do bispo Osório Citora, da Diocese de Quelimane, e encoraja as autoridades a investigarem e a esclarecerem o caso”, lê-se no comunicado da Comissão Política da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder desde 1975).

A Igreja Católica em Moçambique condenou hoje o assassínio do bispo de Quelimane, Osório Citora Afonso, que classificou como um “crime gravíssimo”, e exigiu o rápido esclarecimento das circunstâncias da morte pelas autoridades competentes.

“Este ato hediondo não é apenas uma agressão contra uma pessoa, mas uma ferida profunda e atroz infligida no coração da Igreja e na consciência moral do país”, refere uma nota pastoral divulgada hoje pela Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).

Leia também: Bispos africanos exigem justiça pelo homicídio de Osório Citora. O que se sabe sobre o caso

A igreja manifesta consternação pela morte do prelado, referindo que o caso representa um ataque aos valores da dignidade humana, da paz e da missão pastoral da Igreja Católica em Moçambique.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, deslocou-se hoje à Nunciatura Apostólica, em Maputo, para apresentar condolências à Igreja Católica e ao Vaticano, considerando a morte do bispo como uma perda para o país, além de reiterar o compromisso das autoridades com o esclarecimento do sucedido.

“Continuamos a trabalhar, as investigações estão em curso para apurar a responsabilidade”, declarou o chefe de Estado, citado em nota da Presidência moçambicana, acrescentando que se trata de uma situação sem precedentes nos 50 anos de independência de Moçambique.

O bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, Osório Citora Afonso, foi assassinado a tiro na madrugada de sábado, confirmou a CEM.

Em declarações aos jornalistas no mesmo dia, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que o bispo foi morto na sua residência com uma arma do tipo AK-M por homens que teriam escalado um muro, tendo vandalizado a segurança elétrica e disparado contra o bispo na “parte do peito, no coração”.

Na segunda-feira, a Ordem dos Advogados de Moçambique pediu uma investigação “célere, rigorosa e transparente” sobre o assassínio do bispo de Quelimane, indicando que o crime recorda que ninguém está imune às investidas da intolerância.

Os antigos Presidentes moçambicanos Armando Guebuza e Joaquim Chissano apelaram à rápida responsabilização dos autores do homicídio, enquanto o líder do partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM, quarta força parlamentar) criticou a “violência brutal” no país.

Numa nota da Santa Sé refere-se que o Papa Leão XIV expressou também profunda dor e apelou ao fim dos atos de violência em Moçambique.

Membro do Instituto dos Missionários da Consolata, Osório Citora Afonso foi nomeado bispo da Diocese de Quelimane em julho de 2025 e, em abril deste ano, assumiu igualmente as funções de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, por nomeação do Papa Leão XIV, tornando-se uma das principais figuras da Igreja Católica moçambicana.

Na mesma sessão, a Frelimo voltou a condenar os atos de xenofobia registados na África do Sul contra cidadãos moçambicanos e enalteceu as ações das autoridades nacionais de assistência às vítimas, incluindo o repatriamento de mais de 700 cidadãos para as respetivas províncias de origem.

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