Kristio Wahyono - TIMOR-LESTE DEVE SER PRIORIDADE PARA INDONÉSIA - Plataforma Media

Kristio Wahyono – TIMOR-LESTE DEVE SER PRIORIDADE PARA INDONÉSIA

Quando ainda era um território administrado pelas Nações Unidas, Timor-Leste foi o primeiro vizinho que o antigo Presidente Abdurrahman “Gus Dur” Wahid visitou, em fevereiro de 2000.

Dois anos depois, o seu sucessor, Megawati Soekarnoputri, participou em Díli na cerimónia que marcou a  independência do território e na tomada de posse do Presidente eleito Kay Rala Xanana Gusmão. Megawati desvalorizou as objeções da Câmara dos Representantes e da Assembleia Popular Consultiva (MPR).

Quem que quer que seja o vencedor das eleições presidenciais de julho, tanto Joko “Jokowi” Widodo como Prabowo Subianto, deverá considerar como prioridade uma viagem a Díli, antes de se empenhar nos compromissos regionais e multiaterais.

O novo Presidente deverá manter igualmente a tradição de um novo chefe de Estado de visitar os nove vizinhos da ASEAN (Organização das Nações do Sudeste Asiático) e participará na cimeira da organização marcada para 9 e 10 de novembro.

Uma viagem a Timor-Leste será estratégica, pois as duas nações poderão discutir questões como a parceria estratégica, cooperação económica e, se for caso disso, matérias sensíveis. Em maio de 2010, o Presidente

Suslio Bambang Yudhoyono visitou Díli, para o 10º aniversário da independência e para a tomada de posse do Presidente eleito José Maria Vasconcelos, conhecido como Taur Matan Ruak.

Em 1986, Taur era o segundo comandante  do braço armado da Fretilin, responsável pelas operações de guerrilha em Timor-Leste e Yudhoyono era o comandante do Batalhão 744.

Yudhoyono fez a sua primeira visita a Díli como Presidente em abril de 2005. Ele depositou uma coroa de flores no cemitério de Santa Cruz, num gesto destinando a tornar-se num símbolo claro da melhoria de relações entre os dois países, desde que Timor-Leste rompeu com a Indonésia, em 1999.

Mas nos últimos meses intensificaram-se as alegações de violações de direitos humanos, envolvendo Prabowo. Jemma Purdey denunciou que , como militar,  Prabowo fez quatro missões em Timor-Leste e comandou unidades que “estiveram envolvidas em alguns casos de extrema violência”. Muitos acreditam que Prabowo teve também um papel no massacre de 1983 em Kraras, conhecida como a aldeia das viúvas, que vitimou muitos timorenses.

Prabowo contestou fortemente estas alegações, numa carta que escreveu ao Jakarta Post, em dezembro de 2013.

Durante as minhas funções como o representante da Indonésia em Timor-Leste (2000-2003), o então Presidente Gusmão pediu-me para ajudar e obter informação sobre os restos mortais do herói nacional timorense , Nicolau dos Reis Lobato.

Não está claro quando e como ele foi morto e “levado para a Indonésia”. Relatos daqueles anos referem que Lobato foi alvejado por unidade do então capitão Prabowo.

Novos pedidos de ajuda têm sido submetidos ao diplomata indonésio em Díli, por ocasião de cada comemoração do Dia da Independência de Timor-Leste. O assunto é, há anos, bastante sensível nas relações entre os dois países. Lobato foi um dos fundadores da Fretilin e é recordado como o primeiro primeiro-ministro de Timor-Leste. Ele foi morto numa emboscada em dezembro de 1978, três anos depois da Indonésia ter entrado em Timor-Leste.

Violações dos direitos humanos cometidas entre abril de 1974 er outubro de 199, quer pelo ABRI/Exército Indonésio (TNI), quer pela Fretilin – incluindo os incidentes de 1978 e de 1983 – estão bastante documentados nas 3.577 páginas dos cinco volumes. intitulados Chega!, da Comissão Independente para a Receção, Verdade e Reconciliação.

Na última década, a situação alterou-se bastante. O TNUI incrementou a sua cooperação com a estrutura homóloga de Timor-Leste, no campo da educação, treino e capacitação. O acordo foi estabelecido quando o comandante do TNI. generasl Djoko Santoso se reuniu como o seu homólogo timorense, Taur, em, 2009.

Um ano depois, Taur visitou a Indonésia, para prosseguir a cooperação na segurança, pessoal militar e formação académica, educação e controlo fronteiriço, sobretudo nos postos de Tunubibi and Tilomar.

Apesar da perceção negativa sobre o papel que o TNI desempenhou mo passado em Timor-Leste, no que respeita a Probowo, acredito que chegou o momento de ele anunciar a sua primeira visita de Estado a Timor-Leste, se for eleito Presidente, tendo em conta as suas antigas responsabilidades no território.

A razão por que Timor deve ser o primeiro país que Jokowi ou Prabowo visitarão está relacionada com a autodemissão de Gusmão como primeiro-ministro, o que ocorrerá algures entre setembro e outubro. O candidato melhor colocado para o psoto é o ministro de Estado, Ágio Pereira.

Independentemente de quem liderar a Indonésia e Timor-Leste, é obrigatória uima transição suave. Assumindo que Díli terá a confirmação de Jacarta de uma visdita do novo Presidente antes da cimeira da ASEAN, Gusmão poderá adiar a sua demissão até novembro ou dezembro.

Gusmão abandonará o palco no meio de crescente falhanço do Estado e de generalizada má administração, Apesar do grande apoio internacional e do dinheiro do petróleo, Timor-Leste continua frágil. O país acumulou mais de 10 mil milhões desde a independência, em 2002, em resultado da exploração ‘off shore’ do gás e do petróleo e, no entanto, de acordo com Siktus Harson, na ucanews.com, permanece um país de baixo rendimento, com pobreza extrema e colocados problemas sociais.

O falhanço do Estado em Timor-Leste tem um potencial de danificar severamente a segurança regional e, em consequência, deve merecer a responsabilidade comum da região, particularmente do seu vizinho da porta do lado, para impedir que tal aconteça.

 

Kristio Wahyono, Antigo representante da Indonésia na Administração Transitória das Nações Unidas em Timor-Leste in Jakarta Post

 

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