A ocupação média dos hotéis da Península de Macau rondou os 80% no primeiro semestre e os preços dos quartos recuaram entre 5% e 6%, disse ao Macau Daily News a presidente da Associação de Hotéis de Macau, Jocelyn Wong. A responsável apontou para o aumento da oferta local e para a preferência de mais visitantes por alojamento em Zhuhai e Hengqin.
“O modelo de turismo tem vindo, de facto, a mudar, e já há algum tempo”, salienta Glenn McCartney, professor associado de Gestão Internacional de Resorts Integrados da Universidade de Macau. “A questão agora é: como responder a isto?”
O académico associa esta evolução ao desenvolvimento de Hengqin e Zhuhai, à maior facilidade de circulação, ao crescimento do Cotai e ao encerramento dos casinos-satélite.
“Em 2025, dos 40,07 milhões de visitantes, 23,52 milhões – 59% – foram excursionistas”. A permanência média “foi de 1,1 dias”. Uma década antes, os “excursionistas representavam 53% dos 30,71 milhões de visitantes”, mantendo-se a permanência média.
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McCartney acredita, ainda assim, que os hotéis da Península continuarão a receber muitos clientes. “Há um grande volume de visitantes e, dado o número de quartos em Macau, continuará a haver essa grande afluência aos hotéis da Península de Macau e uma elevada taxa de ocupação”, afirma ao PLATAFORMA.
Deixa, porém, um alerta: “Tal como noticiado recentemente pelos media sobre ocupações mais fracas e tarifas de quartos mais baixas, é bom traçar estratégias com antecedência.”
Mais consumo durante a visita
Com mais de metade dos visitantes a não pernoitarem, Glenn McCartney considera necessário “aumentar o consumo” durante a passagem por Macau, incluindo no “jogo, comércio, restauração, eventos e entretenimento”.
“A partilha de experiências e das jornadas dos viajantes de e para Macau já está nas redes sociais”, afirma. “Como é que nos integramos nesta discussão para acrescentar os acontecimentos na Península, seja alojamento, eventos e entretenimento nos bairros, promoções de restauração ou compras?”
McCartney acrescenta que “podem existir parcerias estratégicas com outras marcas e empresas para disseminar a mensagem”.
Os descontos e pacotes para prolongar as estadias podem ter impacto no curto prazo, mas o professor alerta: “As promoções afetam as receitas de alojamento e possivelmente a imagem da marca — quando se mantém o preço baixo durante um longo período, o desafio é voltar a subi-lo.”
Para Glenn McCartney, os bairros podem ser desenvolvidos como zonas turísticas, com propostas ligadas às características de cada comunidade. “Claro que a gastronomia é um deles, mas também pode ser a narração de histórias e eventos culturais dentro desse bairro ou zona turística.”
O turismo deve ser concebido como “a cocriação de experiências entre a comunidade e o visitante”, integrada numa “visão a mais longo prazo”, diz.
O planeamento deve definir objetivos e indicadores de desempenho e envolver “a comunidade, hotéis, pequenos negócios, organizadores de eventos e entretenimento ao vivo, e transportes”.
Deve ainda incluir “investigação empírica” sobre “o sentimento da comunidade e as expectativas dos visitantes”, assim como eventuais “melhorias legislativas”.