De acordo com especialistas citados por centros climáticos chineses, o desenvolvimento de um novo episódio de El Niño em 2026 poderá contribuir para uma maior instabilidade meteorológica na região do Mar da China Meridional, onde se inclui Macau, Hong Kong e províncias costeiras como Guangdong e Fujian. A tendência geral para a Ásia é de aumento de temperaturas médias, alterações no regime de chuvas e maior irregularidade nas estações.
Chuvas mais intensas e risco de inundações
No Sul da China, um dos principais impactos esperados está relacionado com a intensificação de episódios de chuva extrema. Em cenários típicos de El Niño, a reorganização dos sistemas de monção pode concentrar precipitação em períodos mais curtos e intensos, aumentando o risco de cheias urbanas e deslizamentos de terra.
Macau, pela sua elevada densidade urbana e baixa altitude em várias zonas costeiras, é particularmente vulnerável a episódios de precipitação intensa e a inundações associadas a marés de tempestade. Nos últimos anos, a região já foi afetada por vários sistemas tropicais e tempestades que provocaram interrupções no transporte, encerramento de infraestruturas e danos materiais significativos.
Embora o El Niño não seja o único fator a influenciar estes eventos, ele atua como um “amplificador” das condições extremas já associadas ao aquecimento global e à variabilidade natural do clima.
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Calor mais intenso e pressão sobre infraestruturas
Outro efeito relevante esperado para o Sul da China e Macau é o aumento da frequência de ondas de calor. Episódios de El Niño estão frequentemente associados a temperaturas acima da média em várias regiões da Ásia, o que pode agravar a pressão sobre sistemas energéticos, especialmente em períodos de maior consumo elétrico.
O aumento do uso de ar condicionado em grandes centros urbanos tende a elevar a procura energética, podendo pressionar redes elétricas locais. Em paralelo, temperaturas elevadas também afetam a qualidade do ar e aumentam riscos associados à saúde pública, sobretudo entre populações mais vulneráveis.

Impacto indireto nos sistemas tropicais
Outro fator de atenção é a possível alteração na atividade de tufões no Pacífico Ocidental. Embora o impacto exato varie de evento para evento, o El Niño tende a deslocar zonas de formação de ciclones tropicais, o que pode modificar trajetórias e intensidade de tempestades que afetam diretamente o Sul da China e Macau.
Eventos recentes já demonstraram a vulnerabilidade da região a estes sistemas. Em 2025, tempestades tropicais que afetaram Hong Kong, Macau e Guangdong provocaram cheias localizadas, interrupções de transporte aéreo e danos em áreas costeiras, ilustrando a exposição crescente destas cidades a fenómenos extremos.
Uma região sob pressão climática crescente
Especialistas sublinham que os impactos do El Niño não atuam isoladamente. Eles somam-se a tendências de aquecimento global de longo prazo, que já estão a aumentar a frequência de eventos extremos em toda a Ásia Oriental. Estudos recentes indicam que o continente asiático tem registado tanto episódios de precipitação extrema como ondas de calor mais intensas e prolongadas.
No caso de Macau e do Sul da China, o desafio passa por adaptar infraestruturas urbanas — sistemas de drenagem, redes energéticas e proteção costeira — a um contexto de maior variabilidade climática.
Em síntese
- Maior risco de chuvas intensas e inundações
- Aumento de ondas de calor e pressão energética
- Possível alteração na atividade de tufões
- Amplificação de vulnerabilidades urbanas já existentes
Embora não seja possível atribuir eventos isolados ao El Niño, o padrão climático atua como um fator de agravamento que pode tornar o Sul da China e Macau mais expostos a episódios extremos nos próximos anos.