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Moçambique: Populares em fuga após aproximação de supostos terroristas a aldeias

Populares de várias aldeias do distrito de Chiúre, sul da província moçambicana de Cabo Delgado, relataram hoje (20) a circulação de grupos de supostos terroristas, armados, aproximação que está a levar à fuga da população

Lusa

Em causa está a situação de segurança, nos últimos dias, em Chiuco, Bilibiza, Micolene, postos administrativos de Khatapua e Namogelia, no distrito de Chiúre. “Estamos a fugir porque a situação não está boa; os homens armados estão a circular nas imediações das aldeias”, disse uma fonte, em fuga, a partir de Chiúre.

Acrescentou que estes movimentos dos grupos suspeitos começaram há uma semana e que há idosos, jovens, crianças e mulheres em fuga, que temem por ataques nas suas comunidades: “Fugiram da zona porque o medo é maior”.

A caminhada a pé e com bagagens na cabeça tem como destino a vila sede de Chiúre, um cenário que se tem repetido, nesta zona, nos últimos anos. “Queremos chegar a Chiúre, talvez lá consigamos apanhar sono”, lamentou outra fonte.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

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A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) registou 15 eventos violentos nas duas últimas semanas em Cabo Delgado, sete envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 15 mortos, elevando o total para 6.542 os óbitos desde 2017.

Com dados de 20 de abril a 3 de maio, dos 2.371 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.191 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), de acordo com o último relatório da ACLED.

No relatório é referido que o EIM, neste período, “entrou em confronto” com forças moçambicanas e ruandesas, nos distritos de Nangade e Mocímboa da Praia, norte de Moçambique, “matando, pelo menos, sete soldados moçambicanos e apreendendo armamento”.

No sul da província, “um grupo de cerca de 100 combatentes ocupou dois locais de mineração artesanal de ouro”, em busca do metal precioso e de dinheiro.

“Em um dos locais, repeliram um destacamento de soldados moçambicanos antes de seguirem para o sul, onde incendiaram uma conhecida igreja católica, provocando um considerável deslocamento de pessoas. O grupo permanece na região, representando uma ameaça para as comunidades civis, bem como para as atividades de mineração artesanal e comercial”, refere a ACLED.

Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram anteriormente ataques em Cabo Delgado, este mês, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de “cristãos” e cerca de 220 casas, no distrito de Ancuabe.

Na mesma reivindicação, feita através dos canais de propaganda do Estado Islâmico, é referido que elementos daquele grupo “entraram em confronto” em Ancuabe, alegando terem atacado um “quartel” na aldeia de Nacoja.

Numa outra reivindicação, afirmam que elementos do grupo extremista, que atua em Cabo Delgado há mais de oito anos, “entraram em confronto com uma patrulha marítima” das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, perto da praia de Quiterajo, distrito de Macomia, “usando várias armas”.

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