O “Grande Prémio de Consumo” tem os dias contados, segundo o economista Henry Lei (ver páginas 6 a 7). O instrumento transitório, concebido para responder a períodos de maior fragilidade do consumo e do comércio local, terá cumprido a sua função quando a recuperação económica beneficiar a maioria dos residentes, a confiança no consumo melhorar e o contexto global evidenciar sinais positivos. Não há, portanto, um término automático ou iminente, mas uma condição clara: a melhoria efetiva do ambiente económico.
Essa ressalva é essencial, mas contradiz os resultados do programa. As dificuldades persistem; as pequenas e médias empresas de Macau continuam expostas a alterações estruturais nos padrões de consumo, à concorrência externa e à incerteza que marca a economia regional e global. Ainda assim, não deixa de ser uma almofada num período de transição.
Importa reconhecer que o Governo foi ajustando a medida. As alterações introduzidas revelam uma tentativa de corrigir distorções e de ampliar o seu alcance junto das PME. Porém, trata-se de um instrumento de natureza conjuntural, um paliativo e não uma política económica que abra as portas de um futuro sustentável.
As pequenas e médias empresas de Macau continuam expostas a alterações estruturais nos padrões de consumo, à concorrência externa e à incerteza que marca a economia regional e global
Pode mitigar impactos, ganhar tempo e gerar dinamismo pontual. Não substitui, contudo, mecanismos capazes de reforçar a base económica local e de dotar as PME de capacidade não apenas para resistir, mas para crescer.
É neste enquadramento que o novo fundo governamental surge com expectativa. Em teoria, representa uma ferramenta mais robusta: menos orientada para o estímulo imediato ao consumo e mais vocacionada para o investimento, a competitividade e a transformação económica.
Entre uma medida e outra, porém, subsiste um risco que não deve ser ignorado. Se o “Grande Prémio” – ou iniciativas semelhantes – forem cessadas antes de o fundo estar plenamente operacional e a produzir efeitos, poderá abrir-se um vazio de apoio num momento ainda sensível para muitos operadores.
A questão que agora se coloca não é o fim de um programa, mas a qualidade da transição. Cabe ao Governo assegurar que o que lhe sucede chega a tempo – e funciona.