Xi Jinping defendeu, esta semana, em declarações divulgadas pela revista oficial do Partido Comunista Chinês, Qiushi, que o yuan deve tornar-se uma moeda forte e internacionalmente reconhecida, como parte da estratégia chinesa de reforço da economia e da presença global do país.
O apelo do Presidente surge num momento em que a China procura combinar crescimento económico, inovação tecnológica e estabilidade financeira, e visa aumentar a utilização do yuan nos mercados internacionais, promovendo centros financeiros competitivos e uma moeda credível.
Apesar da dimensão das reservas cambiais e do sistema bancário chinês, Xi reconheceu que a economia nacional continua a ser “grande, mas não forte”, e alertou que a transformação do yuan numa moeda de reserva global exigirá um “esforço prolongado”, incluindo a melhoria da regulação dos mercados, prevenção de riscos sistémicos e estabilidade financeira internacional.
No entanto, especialistas sublinham que tais reformas são incompatíveis com o atual modelo de governação da China. Uma verdadeira internacionalização do yuan exigiria liberalização dos fluxos de capital, um sistema jurídico independente e transparente, e mercados mais abertos – mudanças difíceis de implementar sob controlo centralizado do Partido Comunista, apontou o investigador da Universidade de Pequim, Michael Pettis.
Leia também:Exportações em queda pressionam perspetivas económicas da China para 2026
O diretor da Academia Nacional de Investigação Financeira da Universidade Renmin, Wu Xiaoqiu, reforçou que o sucesso da moeda depende de três pilares: primazia do mercado, Estado de direito e estabilidade institucional, enfatizando que dimensão económica e força administrativa por si só não são suficientes.
Atualmente, o yuan ocupa o terceiro lugar entre as moedas internacionais, com apenas 5.68% de utilização global, e o objetivo de Pequim é atingir 20% até 2035. O seu uso internacional tem aumentado em relações comerciais com países como Rússia, Brasil e Zâmbia, mas ainda se mantém limitado devido a desequilíbrios estruturais, acesso restrito a ativos domésticos e falta de liquidez externa.
Em 2025, o renminbi representava apenas 4.74% dos pagamentos internacionais, permanecendo atrás do dólar, euro e libra esterlina, segundo o sistema Swift.