As negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz parecem estar a ganhar novo impulso, com responsáveis dos Estados Unidos, do Irão e de países mediadores a indicarem progressos nos esforços diplomáticos em curso.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou na terça-feira (4) que um acordo poderá ser alcançado “nos próximos dias”. “Penso que existe a possibilidade de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para reabrir o estreito e avançar para uma situação mais normalizada neste conflito”, declarou à CNBC.
Também na terça-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou à Fox News que Washington está a manter “conversações muito positivas” com o Irão, mas advertiu que Teerão será “atingido com muita força” caso o estreito não seja reaberto “muito em breve”.
Na véspera, Trump tinha referido que as negociações estavam “a decorrer neste momento” e classificou-as como a “última oportunidade” do Irão para chegar a um acordo.
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Teerão, contudo, rejeitou essa versão. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, afirmou na segunda-feira que não existem negociações em curso nem previstas com os Estados Unidos, sublinhando que os únicos contactos decorrem com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz.
Na terça-feira, Baghaei classificou essas conversações com Omã como “positivas”, tanto ao nível técnico como político, acrescentando que o Irão pretende desenvolver mecanismos conjuntos para gerir o futuro tráfego marítimo através daquela via estratégica.
Em declarações à televisão estatal IRIB, o responsável afirmou que qualquer nova rota deverá salvaguardar os direitos soberanos e a segurança nacional tanto do Irão como de Omã. Segundo Baghaei, os detalhes de um eventual acordo só serão divulgados após a conclusão das negociações.
A televisão estatal Press TV citou igualmente um alto responsável iraniano, segundo o qual o novo corredor marítimo substituirá as atuais rotas norte e sul assim que entrar em funcionamento.
O mesmo responsável descreveu a medida como defensiva e “plenamente compatível com o direito de qualquer Estado soberano proteger as suas águas territoriais contra ameaças externas”.
Entretanto, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, confirmou na terça-feira que os Estados Unidos estão envolvidos nas negociações entre Omã e o Irão destinadas a aumentar o tráfego através do Estreito de Ormuz.
“Houve progressos nessas conversações, embora ainda não exista um acordo definitivo. Esperamos que isso aconteça muito em breve”, declarou aos jornalistas.
O Qatar confirmou igualmente, na terça-feira, que continuam em curso os esforços de mediação entre os Estados Unidos e o Irão, acrescentando que as duas partes continuam a trocar propostas de texto para um possível acordo.
Majed Al Ansari, conselheiro do primeiro-ministro do Qatar e porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, afirmou que as negociações atingiram “uma fase muito avançada”.
Segundo Al Ansari, o Qatar, o Paquistão e Omã estão a coordenar-se estreitamente para facilitar os contactos indiretos entre Washington e Teerão.
O responsável acrescentou que a prioridade imediata do Qatar passa por “evitar uma escalada, reabrir o estreito e reabrir a porta à diplomacia entre as partes”.