Secularmente, Macau tem sido a ponte de ligação entre a China e o Ocidente. A integração regional e enquanto plataforma para aprofundar a sua abertura ao exterior são algumas das orientações claras do Governo Central para a diversificação de Macau.
No contexto atual da recuperação económica, é ainda um facto que a diversificação de Macau depende meramente do Jogo e do turismo. Contudo, há uma sensação de preocupação excessiva do alcance dos números e de estatísticas, e da vinda de quantos turistas por dia em Macau, mas com redução óbvia do seu consumo direto depois do Covid-19. Mais recentemente, a liderança pública pode, sem saber e sem pôr em causa a competência de execução de eventos pelas concessionárias de Jogo, transmitir que o principal “branding” de Macau é a Torre Eiffel da França, o Big Ben de Londres e a Veneza da Itália, com direito a fogo-de-artifício no COTAI. A península de Macau ficou assim com a luz apagada, mas herda uma paisagem identitária, com baía e “skyline” próprios, marginais e aterros planeados para museus e áreas de lazer, e um património cultural único. Importa salientar que é a opinião pública que retrata esta preocupação. Piadas à parte, se substituísse a Torre de Xangai para um “copy paste” da Torre de Pisa num “countdown” no fim do ano, podia de facto parecer estranho.
Para além da boa fotografia conjunta nos eventos em Macau, fala-se em ter uma maior visão estratégica na qualidade dos serviços, dos transportes e dos seus acessos, na formação e domínio da língua inglesa para receber turistas estrangeiros, a avaliação para receber (menos) turistas que consomem verdadeiramente em Macau e como melhorar a oferta dos serviços dos vários setores, sem pôr de parte uma possível fusão da cultura e do desporto com o turismo; e a expansão do aeroporto internacional, com ligação ao mundo lusófono, podendo as autoridades contar sempre com o apoio da sociedade civil. Que haja formação para os jovens talentos para a diversificação desejada, mas que compreendam Macau e o seu legado. Como equilibrar tudo isto com uma diversificação, não apenas regional, em torno da sua identidade e património cultural únicos? É um desafio para o novo ano!
Cabe-me agradecer o convite do jornal Plataforma para esta desafiante secção de “Opinião” e saudar a todos com votos de um próspero 2026 cheio de saúde!