Odair Moniz trabalhava como cozinheiro em Lisboa, atividade que conciliava com a gestão de um pequeno café no bairro onde vivia, um espaço descrito como de ambiente calmo e frequentado por moradores da zona. Era casado e pai de três filhos, de diferentes idades, e estava há algum tempo em situação de baixa médica após um acidente laboral que lhe provocou queimaduras.
Apesar do seu perfil familiar e da sua ligação à comunidade, o seu passado também incluía referências a processos judiciais anteriores, nomeadamente relacionados com tráfico de droga e crimes violentos, pelos quais já teria cumprido pena de prisão. Estes elementos têm sido citados em diferentes momentos do debate público em torno do caso, embora não estejam diretamente relacionados com os acontecimentos que levaram à sua morte.
Na madrugada de 21 de outubro de 2024, Odair Moniz saiu de automóvel da zona da Cova da Moura, na Amadora, após uma noite em que tinha estado num contexto de convívio. Segundo versões posteriormente descritas em sede de investigação, terá sido seguido por uma patrulha da Polícia de Segurança Pública após uma infração rodoviária, tendo-se seguido uma perseguição que terminou com a imobilização da viatura e um confronto a pé no interior do bairro.
Foi nesse contexto que ocorreram os disparos efetuados por um agente da PSP, que acabaram por atingir Odair Moniz, provocando ferimentos fatais. Foi transportado para o hospital, onde viria a morrer pouco depois.
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Desde então, o caso tornou-se altamente mediático, não apenas pela intervenção policial em si, mas também pelas versões contraditórias sobre o que aconteceu nos momentos finais da ocorrência, incluindo a discussão sobre a eventual existência de uma arma branca e a avaliação do grau de ameaça enfrentado pelos agentes no terreno.
A morte de Odair Moniz desencadeou ainda episódios de tensão e protestos em vários bairros da área metropolitana de Lisboa, com registo de desacatos e contestação à atuação policial, bem como manifestações públicas de moradores e movimentos sociais que exigiram esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso.
Quase um ano depois, o processo chegou à fase final de julgamento, com o tribunal chamado a decidir sobre a responsabilidade penal do agente envolvido e a clarificar juridicamente os acontecimentos daquela madrugada, num caso que continua a ter forte impacto social e institucional.