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El Niño gera prejuízos globais de grande escala. Porque poderão os custos aumentar nas próximas décadas

O climatologista Cai Wenju defende que os episódios de El Niño deixam sempre um saldo económico negativo à escala global. Com o aumento das temperaturas, o receio é que fenómenos extremos passem a causar danos mais frequentes e mais dispendiosos

Lusa - Macau

O climatologista australiano Cai Wenju afirmou hoje que o fenómeno climático El Niño “traz sempre prejuízos líquidos” de “milhares de milhões de dólares” à economia global.

“Eventos extremos do El Niño causam perdas diretas de milhares de milhões de dólares, com perdas acumuladas na ordem dos biliões”, afirmou o cientista climático, durante uma palestra na Universidade de Macau, dedicada à “resposta a este fenómeno e aos seus impactos no aquecimento global”.

O El Niño é um fenómeno de aquecimento anómalo, caracterizado por temperaturas da superfície do mar excecionalmente elevadas no Pacífico tropical central e oriental, segundo Cai Wenju. A fase de arrefecimento é designada por La Niña.

O especialista recordou que, em 2016, foi registado um dos três eventos El Niño mais fortes e prolongados já observados, que gerou secas severas no norte da China, chuvas extremas e inundações sem precedentes, causando milhares de mortes.

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No futuro, com o “aquecimento provocado pelos gases com efeito de estufa”, o climatologista espera que os efeitos deste fenómeno climático se intensifiquem a nível global, e com eles, o seu impacto económico.

As perdas diretas na economia global incluem uma redução da produtividade agrícola e danos em infraestruturas, que geram perdas indiretas no comércio, inflação e quedas nos mercados financeiros, segundo o climatologista.

Apesar disso, Cai Wenju sublinhou que existem efeitos regionais positivos. “Na Austrália, o El Niño tem um efeito benéfico, porque chove mais. Os agricultores, na verdade, dependem desses dois anos para obter grandes lucros”, explicou.

O climatologista advertiu, contudo, que a integração global dos mercados comerciais e financeiros amplifica as consequências negativas noutras regiões.

“Uma desaceleração no mercado financeiro dos EUA desencadeada pelo El Niño afeta todos os países, independentemente das suas condições climáticas locais”, disse.

“Se o mercado financeiro dos EUA cair, não importa em que país estivermos, os respetivos mercados e ativos financeiros vão cair também”, alertou.

Cai destacou ainda o papel da psicologia do consumidor na transmissão dos danos económicos, afirmando que o El Niño pode levar economias à recessão e que a “perda de confiança do consumidor” resultante aprofunda a crise.

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